Ação Social do TJAC em Epitaciolândia
Nos dias 27 e 28 de abril, Epitaciolândia recebeu mais uma edição do Projeto Cidadão, idealizado pelo Tribunal de Justiça do Acre (TJAC). Esta iniciativa, que ao longo de 30 anos tem se reinventado e ampliado sua oferta de serviços, promove cidadania e inclusão, beneficiando centenas de pessoas na região de fronteira e superando a marca de 2 milhões de atendimentos desde sua criação.
Maria Antônia de Souza Braga, uma moradora local, exemplifica o impacto desse projeto. Nascida no Seringal Rubicon, em Xapuri, ela construiu uma vida simples e resiliente, sempre mantendo a fé como sua maior companheira. Mãe de quatro filhos, Maria Antônia chegou ao evento com a esperança de atualizar sua identidade, um documento crucial para garantir seus direitos. Apesar do nervosismo ao confirmar seus dados, ela conseguiu concluir o processo com sucesso e não poupou elogios ao atendimento recebido pelo Instituto de Identificação. “Foi maravilhoso”, declarou, lembrando ainda que aquele era o dia de seu aniversário, o que tornou a experiência ainda mais especial.
O Projeto Cidadão ofereceu muito mais do que a regularização de documentos. Maria Antônia também buscou orientações em saúde durante o evento, compartilhando sua luta contra problemas renais e pulmonares. “Ainda trabalho! E precisava mudar meu documento. Minha identidade antiga já estava muito velhinha”, comentou, com um sorriso que revelava a alegria de celebrar mais um ano de vida.
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Uma Grande Mobilização Social
A feira de serviços foi realizada na Escola Municipal Bela Flor, funcionando das 8h às 15h. Além da emissão de documentos como RG e certidão de nascimento, os participantes tiveram acesso a atendimentos jurídicos, de saúde e assistência social. A atualização cadastral em programas sociais, como o CadÚnico e o Bolsa Família, também foi um dos serviços disponibilizados.
A área da saúde se destacou, com a Coordenadoria de Bem-Estar e Saúde (Cobes) do TJAC e a prefeitura oferecendo uma gama de atendimentos: consultas odontológicas, exames de ultrassom e ecocardiograma, além de testes rápidos para hepatites B e C, HIV e sífilis. Os cidadãos puderam ainda aferir sua pressão arterial e glicemia, receber vacinas e participar de atendimentos nutricionais, fisioterapêuticos e psicológicos. Uma farmácia montada no local possibilitou a entrega imediata de medicamentos, resultando em uma grande mobilização social.
Outra parceria valiosa foi com o Hospital do Amor, que participou do evento com o projeto “Missão Gênese: Uma Jornada Nanocientífica”, utilizando realidade aumentada para educar os jovens sobre hábitos saudáveis e a importância do diagnóstico precoce do câncer. O Departamento de Trânsito do Acre (Detran) também esteve presente, promovendo atividades educativas voltadas ao público.
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A coordenadora do Projeto Cidadão, Isnailda Silva, ressaltou a importância da iniciativa: “Estamos em Epitaciolândia com mais uma edição do Projeto Cidadão, reunindo parceiros para atender a população. Essa ação é construída com muitas parcerias, promovendo um atendimento humanizado e cidadania.” Ela também destacou a realização de um casamento coletivo que atendeu mais de 40 casais e a entrega de cadeiras de rodas, reforçando o compromisso do projeto com a inclusão social.
Educação e Conscientização
Dentro da programação do evento, a Escola Belo Porvir recebeu uma palestra da Coordenadoria Estadual das Mulheres em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cosiv) que abordou a Lei Maria da Penha, violência doméstica e comportamentos abusivos nos relacionamentos. Uma atividade paralela incluiu um concurso de redação, onde os três primeiros colocados receberão como prêmio um computador doado pelo TJAC. Conscientizar os jovens sobre esses temas, especialmente em um estado que enfrenta altos índices de feminicídio, é uma ação crucial nos dias de hoje.
Realidade de Fronteira
A realidade de Epitaciolândia é singular, dada sua proximidade com Cobija, na Bolívia, onde culturas e vivências se entrelaçam. Para muitos, possuir um documento é uma formalidade, mas para Francisca Lopes Rodrigues, uma boliviana que construiu sua vida no Brasil, é a chave para que sua filha tenha um futuro promissor. Ao buscar atendimento na Defensoria Pública durante o evento, Francisca expressou seu desejo de regularizar sua situação, o que representa uma grande vitória em sua luta cotidiana. “Em todo lugar pedem documentos. É a primeira coisa que se pede… e eu não tenho”, desabafou, ansiosa por um futuro melhor.
Ao receber o encaminhamento para a Polícia Federal, seu semblante iluminou-se. Para ela, a regularização da documentação não é apenas um objetivo pessoal, mas uma demonstração de amor pela filha, que merece todas as oportunidades dentro do país que escolheram como lar. E, assim como tantos outros, Francisca encontrou no Projeto Cidadão a chance de abrir as portas para um futuro mais seguro e promissor.
