Retorno das Famílias Atingidas pela cheia do Rio Juruá Começa nesta Terça-Feira (5)
Na manhã desta terça-feira (5), o Rio Juruá apresentou um nível de 13,74 metros, refletindo uma queda de 28 centímetros em comparação ao dia anterior. A Defesa Civil Municipal anunciou que as primeiras famílias, atualmente abrigadas na Escola Madre Adelgundes Becker, localizada no bairro Miritizal, começarão a retornar para suas residências na tarde de hoje.
O coordenador da Defesa Civil, Damasceno Júnior, havia planejado que o retorno se iniciasse na segunda-feira (4), mas a vistoria revelou que as condições de segurança ainda não eram adequadas. Ele explicou que, apesar do nível do rio ainda estar acima da cota de transbordo, as previsões de vazante indicam um cenário seguro para o retorno das famílias.
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A expectativa é de que até a quarta-feira (6), todas as famílias possam voltar para casa com o auxílio de kits de limpeza, facilitando a retomada de sua rotina diária. “Estamos fazendo o monitoramento e, mesmo com o nível ainda elevado, as condições estão se estabilizando”, afirmou Damasceno.
O coordenador enfatizou a importância de minimizar os impactos sociais, especialmente em relação à interrupção das aulas e ao funcionamento das unidades de saúde locais, que foram afetados pela cheia. “Sabemos o quanto a educação e a saúde são essenciais, e por isso estamos priorizando o retorno das famílias”, comentou.
Famílias Aguardam Retorno com Expectativa
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Entre as pessoas que aguardam ansiosamente o retorno está Raimunda Maciel, que está abrigada na Escola Rita de Cássia. Moradora do bairro Várzea, uma das áreas mais afetadas pela cheia, ela relata a ansiedade crescente para voltar para casa. “Se o rio estivesse baixando mais rápido, seria mais fácil voltar. O trabalho vai ser grande, porque quando voltamos, precisamos limpar tudo, tirar a lama e organizar a casa novamente”, disse.
A situação ainda é crítica para muitas famílias, com 7.087 pessoas afetadas em 12 bairros e 15 comunidades rurais. Ao todo, a prefeitura montou sete abrigos para fornecer alimentação e apoio social e de saúde às pessoas que estão abrigadas. Conforme os números, 65 famílias, o que equivale a cerca de 271 pessoas, continuam em abrigos municipais.
Além da Escola Madre Adelgundes Becker, outras escolas estão abrigando famílias, incluindo a Escola Padre Arnoud, a Escola Corazita Negreiros, e a Escola Thaumaturgo de Azevedo, dentre outras. A situação em várias regiões do Acre, devido às cheias, levou o governo a decretar estado de emergência em seis municípios, uma ação que foi reconhecida pelo governo federal.
As inundações em Cruzeiro do Sul não são novas; registros anteriores mostram que as maiores cheias ocorreram em 2017, 2021 e em 2026, sempre trazendo desafios à população local. O pico da cheia atual foi registrado na sexta-feira passada, dia 1º, quando o rio atingiu 14,19 metros, superando novamente a marca de 14,15 metros, que já é considerada um recorde.
Assim, enquanto algumas famílias começam a retornar, outras continuam em situação de vulnerabilidade. A Defesa Civil orienta os moradores a realizarem uma vistoria em suas casas antes de voltarem e a acionarem o órgão, caso precisem de assistência, já que não é possível estar presente em todos os locais simultaneamente.
