Aumento da Moradia Unipessoal no Acre Reflete Mudanças Sociais e Culturais
Nos últimos dez anos, o Acre testemunhou um aumento significativo no número de pessoas que vivem sozinhas. Segundo dados recentes do IBGE, a população jovem, especialmente entre 15 e 29 anos, lidera essa mudança, acompanhada por um crescimento notável entre indivíduos com 60 anos ou mais. Ao todo, existem cerca de 319.321 domicílios no estado, dos quais aproximadamente 46 mil são ocupados por uma única pessoa, representando 14,4% do total de residências no Acre. Desde 2016, enquanto o percentual de domicílios próprios diminuiu, o número de alugados aumentou, impulsionando o crescimento da moradia unipessoal.
Em 2016, eram cerca de 9 mil homens entre 30 e 59 anos vivendo sozinhos, enquanto as mulheres nessa mesma faixa somavam 4 mil. Agora, em 2025, esses números mais que dobraram, alcançando 18 mil homens e 6 mil mulheres optando por viver de forma independente. Para as mulheres entre 15 e 60 anos ou mais, o aumento foi ainda mais expressivo: de 8 mil em 2016 para 18 mil em 2025, representando um crescimento de 125% em uma década.
A pesquisa também revela que em anos como 2016 e 2022, apenas mil mulheres de 15 a 29 anos se encontravam nessa situação. Em contrapartida, 2025 se destacou como o ano com o maior número de pessoas vivendo sozinhas, com 46 mil, seguido por 2024 com 43 mil e 2023 com 38 mil. Essa tendência tem se mostrado crescente, apontando para uma mudança no estilo de vida da população acreana.
Um exemplo dessa nova realidade é a estudante de direito Maria Barros Soares, de 24 anos, que atualmente mora com sua tia em Rio Branco. “Estou me planejando para me mudar, pois busco mais privacidade e quero conquistar minha independência”, compartilha. Maria explica que a ideia de morar sozinha surgiu há seis meses, e ela está optando por alugar um imóvel. “Já comprei alguns móveis aos poucos e um dos pontos que estou analisando é a localização, para facilitar o acesso ao meu trabalho”, destacou.
A jovem também enfatizou a importância de encontrar um aluguel que se encaixe no seu orçamento. “Estou à procura de um local que seja confortável, mas que não pese no meu bolso. Alguns apartamentos exigem caução, e estou anotando tudo para garantir que a mudança aconteça de forma planejada”, concluiu.
Especialistas apontam que essa mudança no perfil de moradia reflete transformações culturais significativas. Fatores como a maior aceitação do divórcio, o aumento do protagonismo feminino e a redução no número de filhos têm contribuído para essa nova configuração habitacional no Acre. A moradia unipessoal, portanto, não é apenas uma tendência numérica, mas um reflexo das dinâmicas sociais em evolução.
