Caso de Gabriel Manuares: Um Desfecho Trágico e Polêmico
A família de Gabriel Manuares da Silva, de 23 anos, expressou indignação após o corpo do jovem ser encontrado em condições deploráveis na Unidade Mista de Saúde de Manoel Urbano, no Acre. Gabriel foi encontrado sem vida na manhã de segunda-feira (20) dentro do Rio Acre, após dois dias de desaparecimento. A situação do corpo, que estava armazenado de maneira inadequada, despertou a revolta dos familiares e gerou críticas à administração do hospital.
Imagens feitas pelos parentes mostram o cadáver em uma maca, envolto em um saco, com sangue no chão. Além disso, na manhã seguinte, diversos urubus foram avistados sobrevoando a unidade de saúde. Esse triste cenário foi registrado em vídeo e trouxe à tona um debate sobre a dignidade no manuseio de corpos em instituições de saúde pública.
O g1 entrou em contato com a Secretaria de Saúde do Acre (Sesacre) e está aguardando um retorno. O Instituto Médico Legal (IML) afirmou que, apesar das circunstâncias relatadas, não houve danos ao corpo ou à perícia que será realizada. O IML também explicou que houve uma mudança na escala de atendimento, que não foi devidamente comunicada à gestão do instituto. Mais informações sobre o posicionamento do IML podem ser encontradas no final deste artigo.
Desaparecimento e Circunstâncias da Morte
O jovem estava desaparecido desde o sábado (18), dia em que, de acordo com relatos da família, sofreu um surto psicótico enquanto consumia álcool. Denifa de Souza do Nascimento, tia de Gabriel, comentou sobre a negligência no tratamento do corpo na unidade de saúde. “Quando chegamos, já era quase 7h e os urubus estavam quase entrando na sala, pois não havia ninguém para monitorar. Fomos os primeiros a chegar e ficamos vigiando, pois muitos urubus estavam voando perto do corpo”.
Segundo Denifa, o corpo de Gabriel estava dentro de um saco, coberto apenas por um pano, e havia um grande acúmulo de sangue no chão. Ela relatou: “O corpo ficou lá por muito tempo, a ponto de as moscas depositarem larvas nele. É uma situação extremamente difícil de lidar”.
Pela manhã do dia 21, um veículo do IML de Rio Branco removeu o corpo do local e o levou para a capital para a realização de exames que determinarão a causa da morte.
Busca pelo Jovem e o Impacto na Família
A situação de Gabriel é ainda mais complexa. Denifa relatou que o jovem estava consumindo álcool no sábado e, inesperadamente, começou a correr e a escalar telhados. “Recebemos informações de que ele subiu no telhado de três casas, caiu e desmaiou, e depois foi para dentro do rio. Isso ocorreu na madrugada de sábado. As pessoas se afastaram, temendo que ele estivesse armado, mas ninguém sabe ao certo se essa versão é verdade”.
Com a ausência de notícias sobre Gabriel, a família iniciou buscas nas proximidades do rio, além de apelar nas redes sociais por informações sobre o paradeiro do jovem. No domingo, a família tentou registrar um boletim de ocorrência, mas não conseguiu, uma vez que a delegacia estava fechada devido a uma missão na estrada. O boletim foi registrado apenas na madrugada de segunda-feira (20). “O policial de plantão nos disse que o IML foi acionado às 16h e que chegaria entre 20h e 21h. No entanto, a equipe só chegou às 11h da manhã seguinte”.
Foi um vizinho que encontrou o corpo de Gabriel no rio e o retirou. Ele imediatamente avisou a família, que passava por um momento de dor e desespero.
Histórico e Impacto Emocional na Família
Denifa também mencionou que, após a morte da mãe de Gabriel, quando ele ainda era criança, o jovem lidou com o luto e teve crises, mas nenhuma delas se comparou à última. “Ele perdeu a mãe muito novo, e sempre que consumia álcool, ele chorava muito. Tinha crises, mas nada tão extremo como a que vivenciou desta vez. Uma vez, ele chegou em minha casa e disse que ia morrer naquele dia”, recordou.
A avó de Gabriel, que sempre o criou e era uma figura maternal para ele, também sofreu muito ao ver o corpo do neto. “Ele a chamava de mãe, pois foi ela quem cuidou dele desde pequeno”, comentou Denifa, visivelmente abalada.
Nota do IML e Compromisso com a População
Em resposta à situação, o IML explicou que houve uma alteração na escala de atendimento para a regional de Manoel Urbano, mas essa mudança não foi informada à direção do IML em Rio Branco, que coordena a logística das operações. O IML destacou que, apesar das dificuldades, o corpo não sofreu prejuízo e as condições para a realização dos exames estão garantidas.
A Polícia Civil do Acre se solidariza com a família em meio a essa tragédia e reafirma seu compromisso com a transparência e a eficiência na prestação de serviços à comunidade.
