Condições Críticas do Ramal Icuriã
Indígenas e habitantes do Ramal do Icuriã, situado em Assis Brasil, no interior do Acre, estão em alerta devido às condições alarmantes da única via terrestre que leva à Terra Indígena Mamoadate e à Reserva Extrativista Chico Mendes (Resex). Recentemente, um vídeo gravado por moradores evidenciou a situação crítica da estrada, que se encontra intransitável devido à lama, dificultando seriamente o deslocamento de quem precisa entrar ou sair da localidade.
O Departamento de Estradas de Rodagem, Infraestrutura Hidroviária e Aeroportuária (Deracre) informou ao g1 que a recuperação do ramal ainda não pôde ser iniciada em função das intensas chuvas na região, problema que persiste há anos. As imagens mostram trechos da estrada completamente cobertos pela lama, tornando impossível a passagem até para veículos maiores. Em um dos registros, moradores utilizam enxadas para tentar abrir passagem para uma caminhonete atolada no ramal.
Problema Histórico e Impacto na Comunidade
De acordo com Lucas Artur Brasil Manchineri, presidente da Associação Manxinerune Ptohi Phunputuru Poktsahi Hajene (Mappha), a situação é um problema crônico que afeta cerca de 3 mil pessoas que dependem dessa via. “Esse problema persiste há anos. Mudam-se prefeitos e governos, mas a melhoria no ramal parece um sonho distante. A saúde, a educação e a economia das comunidades estão sendo prejudicadas”, declarou Lucas.
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O ramal conecta a zona urbana de Assis Brasil ao Seringal Icuriã, onde residem os povos Manchineri e Jaminawa, além de famílias ribeirinhas e extrativistas. As dificuldades de acesso geradas pela lama têm um impacto profundo no cotidiano dos moradores. “Esse ramal é a nossa vida. Sem ele, nos sentimos completamente isolados. Materiais escolares e merenda, por exemplo, ainda não chegaram à Aldeia Extrema, mesmo com o ano letivo em andamento”, lamentou.
Consequências para a Saúde e Educação
A precariedade da estrada não afeta apenas a locomoção; ela interfere diretamente na educação e nas condições de saúde da comunidade. O transporte de professores e equipes de saúde é seriamente comprometido, e o custo do frete aumentou consideravelmente. Moradores relatam que a situação está colocando vidas em risco, especialmente em casos de emergência médica. “Já ocorreram partos no trajeto e até mortes devido ao tempo perdido nas estradas”, ressaltou Lucas.
“Se precisarmos contratar um frete por conta própria, o preço varia entre R$ 900 e R$ 1 mil no verão e pode chegar a até R$ 1,7 mil no inverno. Essa situação é insustentável”, afirmou o presidente da Mappha.
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Demandas das Comunidades e Ação do Governo
Frente a essa situação crítica, lideranças da comunidade indígena enviaram um pedido de providências às autoridades competentes. As reivindicações incluem a recuperação emergencial do ramal, com serviços de pavimentação e drenagem, além da manutenção periódica da via. Também foi solicitado ao governo do estado e à Prefeitura de Assis Brasil a criação de uma linha de transporte para aliviar os custos de deslocamento até que o ramal seja asfaltado.
Segundo o presidente da Mappha, o ramal foi aberto nos anos 2000 e até hoje não recebeu melhorias estruturais permanentes. Além de facilitar o acesso a serviços essenciais, a estrada é crucial para a economia local e para a proteção territorial na região.
Em junho do ano passado, o governo lançou uma licitação com o objetivo de contratar uma empresa para realizar a recuperação do Ramal do Icuriã, mas, até o momento, as obras não foram iniciadas.
Nota do Deracre sobre a Situação Atual
O Deracre reafirmou que a recuperação do Ramal Icuriã ainda não começou devido ao alto volume de chuvas na região. A execução dos serviços de manutenção e recuperação exige condições adequadas de solo, que estão comprometidas atualmente.
Esta intervenção faz parte da Operação Verão 2026, e a expectativa é que, assim que as condições climáticas permitirem, os trabalhos sejam iniciados. Enquanto isso, a comunidade continua enfrentando os desafios impostos pela falta de acesso.
