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    Transformação digital no Ministério Público do Acre: 7 passos para conectar história e tecnologia
    Tecnologia 26/07/2026

    Transformação digital no Ministério Público do Acre: 7 passos para conectar história e tecnologia

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    Do nascimento à consolidação do Ministério Público no Acre

    Quando o Ministério Público do Estado do Acre (MPAC) foi criado, o próprio Acre dava seus primeiros passos como estado brasileiro. Em 1963, logo após o Território do Acre conquistar autonomia política e se tornar estado, o então governador José Augusto de Araújo assinou a lei que estabeleceu a estrutura administrativa estadual, incluindo o Ministério Público. Naquela época, as estruturas públicas ainda eram incipientes, as cidades estavam em formação e grande parte da população vivia distante dos centros urbanos. O MPAC refletia essa realidade, contando com atuação restrita e foco nos processos judiciais.

    A transformação impulsionada pela Constituição de 1988

    A grande mudança para o Ministério Público ocorreu com a Constituição Federal de 1988, que conferiu autonomia à instituição e atribuiu a missão de defender a ordem jurídica, o regime democrático e os interesses sociais. A partir daí, o MPAC deixou de ser apenas um órgão reativo, agindo só diante de violações, para se tornar um agente ativo na garantia de direitos. No entanto, essa transformação não foi imediata no Acre. Durante décadas, o MPAC precisou se estruturar, enfrentando um quadro reduzido de membros e servidores, limitações materiais e os desafios impostos por um estado amazônico marcado por grandes distâncias e desigualdades sociais.

    Segundo o procurador-geral de Justiça, Oswaldo D’Albuquerque, “os primeiros 40 anos foram de grandes dificuldades, o que torna ainda mais admirável o desenvolvimento da instituição nos últimos vinte anos, especialmente a partir de 2010, com um movimento vigoroso de aproximação da sociedade acreana, respeitando sua diversidade étnica, cultural, econômica e ambiental.”

    O Ministério Público resolutivo: diálogo e prevenção

    Foi nesse contexto de maior proximidade com a sociedade que o MPAC consolidou o conceito de Ministério Público resolutivo. Sem abandonar a atuação judicial, a instituição passou a buscar resultados concretos através do diálogo, articulação entre órgãos públicos, acompanhamento de políticas públicas e construção coletiva de soluções. Essa mudança transformou a relação com a população. Antes, a força do MP era medida pela capacidade de responsabilizar, hoje ela também é avaliada pela habilidade de ouvir, acolher e prevenir conflitos.

    Dessa visão nasceram iniciativas inovadoras como o Centro de Atendimento à Vítima (CAV), criado em 2016 e referência nacional. O CAV prioriza o atendimento humanizado, reunindo suporte psicológico, assistência social e orientação jurídica em um único espaço para vítimas de diferentes formas de violência, com atenção especial à violência de gênero. Essa abordagem reforça que não basta investigar o crime, é fundamental cuidar das consequências para as pessoas afetadas.

    Leia também: Defensoria Pública do Acre conquista prêmio nacional por inovação em tecnologia digital

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    Atendimento humanizado e proteção ampliada

    O MPAC ampliou sua atuação com outras estruturas especializadas, como o MP na Comunidade, o Núcleo de Apoio e Atendimento Psicossocial (Natera), o Observatório de Violência de Gênero, além de grupos voltados para infância, educação, meio ambiente, povos indígenas e pessoas com transtorno do espectro autista. Essas iniciativas combinam atendimento direto, fiscalização, produção de conhecimento e monitoramento de políticas públicas.

    Em 2026, a criação da Ouvidoria da Mulher representou um avanço importante ao ampliar os canais de escuta para que mulheres possam relatar violência, receber orientação e acessar a rede de apoio de forma segura e especializada.

    Inovação tecnológica e governança em IA

    No mesmo ano, o MPAC instituiu uma política de governança para o uso responsável da automação e inteligência artificial (IA) por meio do Ato PGJ nº 61/2026. A iniciativa criou o Catálogo de Automações, que reúne soluções em IA desenvolvidas internamente para simplificar rotinas, aumentar a produtividade e qualificar os serviços prestados.

    Essa estratégia reflete o compromisso da instituição com os desafios de uma sociedade em rápida transformação, marcada por crimes cibernéticos, desinformação e novas formas de violência digital. O MPAC já conta com o Laboratório de Crimes Cibernéticos e ferramentas de IA generativa, como a Anton.IA e o Transcreve.AI, que auxiliam nas atividades institucionais. A Subprocuradoria-Geral de Inovação impulsiona esses projetos de transformação digital.

    Do passado ao futuro: a evolução tecnológica e institucional

    A servidora Socorro Dantas, que acompanhou o MPAC desde os tempos das máquinas de escrever e processos em papel, destaca a transformação profunda da instituição. “Passei por todas as mudanças do Ministério Público e posso afirmar que houve um avanço muito grande. A instituição se transformou”, afirma.

    Leia também: Conectividade e Inovação Revolucionam a Educação Pública do Acre com R$ 187 Mi em Tecnologia

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    O futuro do MPAC, conforme o procurador-geral Oswaldo D’Albuquerque, será pautado pelo lema “Um Ministério Público em todo lugar”, que significa não apenas ampliar a presença física, mas entender e atuar nas diversas realidades do Acre, respeitando sua complexidade social e territorial.

    Reestruturação e valorização do quadro funcional

    Em 2026, uma ampla reforma da Lei Orgânica do MPAC modernizou a estrutura administrativa, criou áreas para governança e inovação e reorganizou setores para fortalecer uma atuação integrada e próxima das comarcas do interior. A Administração Superior intensificou a presença nas unidades regionais, aproximando-se da realidade local.

    Além disso, o Plano de Cargos, Carreiras e Remuneração dos servidores foi ampliado, reforçando a valorização profissional com avanços na carreira e novos instrumentos de desenvolvimento. Essa política reconhece que instituições fortes dependem de pessoas valorizadas e preparadas para os desafios atuais.

    Um Ministério Público conectado com as pessoas e a tecnologia

    O MPAC do futuro equilibra inteligência artificial e inteligência humana, moderniza processos sem perder a escuta ativa e reorganiza sua estrutura para garantir que toda inovação contribua para proteger direitos e servir à sociedade acreana. Essa trajetória mostra uma instituição atenta às necessidades concretas das pessoas, que investe em tecnologia para ampliar sua capacidade de proteger, acolher e prevenir, sempre conectada com as realidades do estado e seu povo.

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    Lucas Nogueira Barbosa

    Antes de olhar para o brilho dos gadgets, Lucas Nogueira Barbosa percorre Rio Branco e arredores ouvindo quem usa a tecnologia para trabalhar, estudar, empreender e resolver perrengues do dia a dia. Nas reportagens de tecnologia, ele simplifica termos, questiona promessas e mostra, com dados e relatos, o que realmente funciona na vida conectada de quem lê.

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