O Aumento da população em situação de rua em Rio Branco
A cidade de Rio Branco, no Acre, enfrenta um sério problema de aumento da população em situação de rua. De acordo com o Núcleo de Apoio e Atendimento Psicossocial (Natera), vinculado ao Ministério Público do Acre, o número de pessoas vivendo nas ruas da capital saltou de cerca de 200 em 2020 para aproximadamente 600 atualmente. Este aumento de 200% se agrava no contexto da pandemia de Covid-19, que deixou um legado de exclusão social e fragilidade familiar.
Em Cruzeiro do Sul, a segunda maior cidade do Acre, a situação não é menos preocupante, com uma estimativa de 100 pessoas vivendo nas ruas. Esses dados são obtidos a partir de registros do Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro Pop) e do Cadastro Único (CadÚnico), oferecendo uma visão mais precisa da realidade enfrentada por essas pessoas.
Impactos da Pandemia na Saúde Mental
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A coordenadora administrativa do Natera, Bruna Oliveira, destaca que a maioria das pessoas em situação de rua apresenta algum tipo de transtorno mental e faz uso abusivo de álcool e drogas. “O aumento da população de rua foi agravado pela pandemia. Muitas pessoas tinham vínculos familiares fragilizados ou perderam parentes devido à Covid-19, o que levou a um consumo elevado de substâncias”, explica Bruna.
O cenário é alarmante não apenas pela quantidade, mas também pela vulnerabilidade das pessoas afetadas. Há seis anos, os dados mostravam 130 homens e 70 mulheres vivendo nas ruas de Rio Branco, uma proporção que permanece, mas com a agravante de que muitas mulheres estão em idade reprodutiva, tornando-se alvos mais vulneráveis de violência.
Personagens de Todas as Classes Sociais
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Bruna Oliveira recorda casos impressionantes, como o de um ex-morador de rua que tinha doutorado na Alemanha. “Esse indivíduo não está mais conosco, mas temos artistas, servidores públicos e policiais que também estão enfrentando essa realidade. O problema atinge pessoas de diversas classes sociais”, alerta ela.
Rede de Apoio Estagnada
O Natera enfatiza a necessidade urgente de melhorias na estrutura da rede de apoio, que continua sendo a mesma de seis anos atrás, mesmo com um aumento significativo no número de pessoas atendidas. A responsabilidade pela assistência a essa população é do município, que, até o momento, não apresentou soluções eficazes.
A Unidade de Acolhimento Abrigo D. Elza, por exemplo, oferece apenas 20 vagas para homens e 10 para mulheres. O Consultório de Rua conta com uma única equipe especializada, que precisa atender um universo de 600 pessoas, demonstrando a precariedade do sistema de apoio.
Desafios e Esperanças
Além disso, o Centro de Apoio Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS A/D) tem apenas 8 vagas disponíveis para acolhimento, com atendimento feito durante o dia. A situação é crítica, pois não há como realizar internações, uma vez que a equipe especializada é insuficiente. “Percebe-se um esforço da prefeitura para resolver esses problemas, mas a realidade é que a estrutura é deficiente e o número de pessoas em situação de rua continua aumentando”, conclui a coordenadora do Natera.
