Bioeconomia no Acre: unindo ciência e comunidades para um futuro sustentável
Na última semana, Xapuri sediou a Jornada para a Bioeconomia Regenerativa, um encontro que reuniu representantes do poder público, instituições de pesquisa, o setor produtivo, agricultores familiares, cooperativas e comunidades tradicionais. O objetivo central foi iniciar o debate para a construção do Plano Estadual de Bioeconomia do Acre, uma iniciativa focada em transformar a biodiversidade amazônica em oportunidades econômicas que respeitam a justiça social e a conservação ambiental.
O evento foi organizado pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Acre (Ifac), por meio do Projeto Finep REVBIO – que visa criar e implementar uma Rede de Valor Compartilhado Socioambiental para fortalecer cadeias socioprodutivas da bioeconomia no estado. A parceria incluiu a Câmara Técnica de Bioeconomia do Fórum Empresarial de Inovação e Desenvolvimento do Acre, além da Impact Hub Manaus, no âmbito do Projeto ECOAM.
Workshop destaca importância da integração entre ciência e comunidades
O ponto alto da programação foi o workshop “Mapa da Bioeconomia do Acre: Diálogos para a Construção do Plano Estadual de Bioeconomia”, realizado no campus do Ifac. Esse encontro faz parte das ações do Projeto REVBIO, financiado pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), com duração prevista de três anos, abrangendo todas as regionais acreanas.
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Para a coordenadora-geral do projeto, professora Rosana Cavalcante dos Santos, discutir bioeconomia no Acre é, essencialmente, falar das pessoas que vivem da floresta. “Não se pode falar de plantas sem falar das pessoas, não se pode falar de recuperação de florestas sem falar de quem vive delas. Quando falamos de bioeconomia regenerativa, estamos falando de desenvolvimento econômico, mas sem perder de vista a questão social, que é o mais importante”, explicou.
O projeto busca identificar, mapear e fortalecer as principais cadeias socioprodutivas da bioeconomia acreana, articulando o conhecimento científico produzido pelas instituições com as demandas reais das cooperativas, associações e produtores rurais.
Com um investimento de cerca de R$ 3 milhões, o REVBIO atua em parceria com os seis campi do Ifac, considerando as diferentes realidades econômicas e ambientais das regiões do estado. A expectativa é que os estudos gerados sirvam de base para políticas públicas que reforcem a bioeconomia no Acre.
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Construção coletiva e integração para superar desafios
Um dos maiores desafios destacados durante a Jornada é a fragmentação das iniciativas ligadas ao desenvolvimento sustentável. Rosana ressalta que, embora o Acre conte com diversas instituições atuando na área, muitas vezes essas ações acontecem de forma isolada. “Ninguém faz nada sozinho”, resumiu a pesquisadora, defendendo uma atuação integrada entre governo, universidades, setor produtivo, organizações da sociedade civil e comunidades tradicionais.
Para ela, apenas a articulação entre esses diferentes atores permitirá construir um modelo sólido de desenvolvimento baseado nas potencialidades da floresta. A Jornada criou um espaço de diálogo que reuniu representantes do Fórum Empresarial de Inovação e Desenvolvimento do Acre, instituições de pesquisa, empreendedores, estudantes e produtores rurais, todos empenhados na formulação de uma agenda comum para a bioeconomia acreana.
Ao término das discussões, está prevista a elaboração de uma Carta de Intenção que deverá guiar os próximos passos para a formulação do Plano Estadual de Bioeconomia, consolidando um caminho claro para valorizar o potencial da floresta com justiça social e sustentabilidade ambiental.
