Desigualdade Salarial no Acre
O Acre foi apontado como um dos estados brasileiros com menor desigualdade salarial entre homens e mulheres, segundo um recente estudo. Com um índice de 91,9% de equivalência salarial, o estado se coloca entre os melhores do país nesse aspecto. Isso significa que, quanto mais próximo de 100%, menor é a diferença na remuneração entre os gêneros.
A pesquisa, que analisou dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), abrangeu cerca de 53 mil empresas com 100 ou mais funcionários, comparando os anos de 2023 a 2025.
Participação Feminina e Diferença Salarial
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Apesar do aumento na participação feminina no mercado de trabalho, a disparidade salarial continua a ser um desafio. Em âmbito nacional, as mulheres recebem, em média, 21,3% a menos que os homens em empresas de grande porte. No Acre, um relatório de 2024 revelou que as mulheres ganhavam, em média, 18,3% a menos que seus colegas masculinos, considerando 104 empresas com aproximadamente 33,5 mil trabalhadores.
A variação salarial conforme o cargo também é significativa. Enquanto a diferença salarial é menor em funções operacionais, onde as mulheres recebem cerca de 79,7% do que os homens ganham, em cargos de liderança a desigualdade aumenta, atingindo 35,6%.
Avanços e Políticas de Inclusão
O levantamento mais recente aponta avanços em alguns indicadores do Acre. Aproximadamente 64,6% das empresas implementaram planos de cargos e salários ou carreiras. Entretanto, no que diz respeito à inclusão de mulheres LGBTQIAP+, apenas 15,2% das empresas do estado possuem políticas voltadas para a contratação desse grupo, ficando atrás de estados como Amazonas e Roraima.
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Salários e Raciais no Mercado de Trabalho
A remuneração média no Acre é de R$ 2.472,66, com um salário contratual mediano de R$ 1.639,14. Contudo, ao se analisar por gênero, as mulheres têm uma média de R$ 2.356,89, inferior à média masculina de R$ 2.565,24. A disparidade racial também é evidente, com mulheres negras recebendo, em média, R$ 2.298,54, enquanto mulheres não negras alcançam um rendimento médio de R$ 2.565,32.
Entre os homens, a diferença salarial também é perceptível. Homens não negros têm um salário médio de R$ 2.821,54, superando os R$ 2.499,67 recebidos pelos homens negros.
Cenário Nacional e a Lei da Igualdade Salarial
No contexto nacional, o relatório aponta um crescimento de 11% na taxa de mulheres empregadas, passando de 7,2 milhões para 8 milhões. Além disso, observa-se um avanço na adoção de políticas que favorecem a inclusão feminina nas corporações, como jornadas de trabalho flexíveis e ampliação de licenças. O número de empresas com, pelo menos, 10% de mulheres negras aumentou em 3,6% entre 2023 e 2025, mas a desigualdade de rendimentos ainda permanece.
A divulgação desses dados é uma resposta à Lei nº 14.611, sancionada em 2023, que estabelece normas para promover a igualdade salarial entre homens e mulheres. Essa legislação determina que empresas com 100 ou mais funcionários devem assegurar transparência salarial e implementar ações que combatam discriminações no ambiente de trabalho.
