Desafios no Acesso à Educação Inclusiva
O G1 entrou em contato com a Secretaria de Educação e Esportes do Acre (SEE-AC), que informou que a contratação do mediador para o aluno está em fase de regularização. De acordo com a gestão da Escola União e Progresso, assim como a coordenadora do Núcleo de Educação do município, Sandra Santos, um profissional foi finalmente contratado na última terça-feira, dia 28. O pai do estudante, Mizael, confirmou que foi notificado sobre o retorno das atividades.
O jovem, que enfrenta dificuldades na coordenação motora, sempre demonstrou interesse pelos estudos. No entanto, a ausência de um mediador tem gerado um desafio constante, não apenas na escola atual, mas também em outras instituições onde esteve matriculado anteriormente.
“Ele não consegue falar nem andar, mas isso nunca foi um obstáculo para ele. Sempre teve prazer em estudar e, quando não vai para a aula, faz gestos, perguntando o porquê. É angustiante, pois essa situação se repete todos os anos”, desabafou Mizael.
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Fonte: soudebh.com.br
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Fonte: bahnoticias.com.br
Impactos da Pandemia na Educação
Durante a pandemia, o adolescente enfrentou sérias dificuldades para acessar o ensino remoto, principalmente pela falta de um profissional capacitado para acompanhá-lo. O ano letivo de 2024 começou e, mesmo com a volta das aulas presenciais, o estudante permaneceu sem frequentar a escola.
“Assim que as aulas retornaram, ele chegou a ter algumas semanas de aprendizado, mas em 2024, o mediador só foi disponibilizado no final do ano, quando já não havia mais sentido em levá-lo. O desejo de aprender sempre esteve presente, mas a estrutura da escola é que não acompanhou essa vontade”, lamentou o pai.
A mãe do estudante, Tasilma Carmo de Souza, também compartilhou as dificuldades enfrentadas pela família. Na ausência do mediador, ela se tornou a responsável pelos cuidados e pelo estímulo ao aprendizado no horário em que o filho deveria estar na escola.
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Fonte: odiariodorio.com.br
Um Chamado por Diretrizes Mais Eficientes
“Todo ano já sabemos que a falta do mediador será um problema. Fui até a escola e a direção informou que a contratação ainda não tinha sido feita, mas que seria realizada nesta semana. Entretanto, essa promessa parece nunca se concretizar. E ainda me disseram que, se a situação se prolongar, eu deveria buscar meus direitos”, comentou Tasilma.
A situação não apenas impacta a rotina da família, mas também o emocional do adolescente. Ele fica desolado ao ver outras crianças indo para a escola e expressa sua vontade de participar, chegando a chorar. “Quando está em casa sem o mediador, ele perde o interesse por outras atividades, porque o que realmente quer é ir para a escola”, contou a mãe.
A coordenadora do Núcleo de Educação do município informou que a família foi comunicada sobre o retorno das aulas e que a reposição do conteúdo perdido será feita conforme a necessidade. “Já sabemos como proceder nesses casos”, assegurou a gestora.
A demora na contratação do mediador foi atribuída à falta de um relatório do aluno, que é elaborado pelo Atendimento Educacional Especializado (AEE) e enviado para análise na Central da Educação Especial, onde ocorre a solicitação dos profissionais necessários.
“O Pablo realmente estava sem um profissional, porém, na terça-feira, 28, nós contratamos um novo mediador, que começará a atender o aluno nesta quarta-feira, 29. A escola já comunicou à família sobre a reabertura das aulas”, concluiu a coordenadora.
A Secretaria de Estado de Educação e Cultura (SEE) reafirma que o atendimento especializado para o estudante Pablo de Souza Araújo, da Escola União e Progresso, em Porto Acre, está em processo de regularização, visando garantir o acesso à educação inclusiva e de qualidade.
