Rumo à Superação
A vida da jovem Iandra Reis, de 17 anos, ganhou um novo significado após um diagnóstico de hidrocefalia e a consequente perda total da visão, aos 14 anos. Hoje, ela é paratleta de natação e encontrou no esporte uma forma de se libertar das limitações impostas pela sua condição. Em 2023, Iandra voltou a estudar e, ao mesmo tempo, iniciou sua jornada na natação, uma descoberta que veio por meio do Centro de Referência Paralímpico do Acre.
“Comecei a praticar natação em maio de 2023. Depois disso, também voltei a estudar, o que me ajudou muito. Fui competindo e, em agosto, fiz minha primeira viagem para Brasília, onde ganhei uma medalha. O apoio dos meus professores e da minha família tem sido fundamental nessa jornada”, relatou Iandra em uma entrevista ao Terra.
Desafios do Cotidiano
Natural do Amazonas, Iandra reside com sua família na zona rural de Rio Branco, no Acre. O trajeto entre sua casa e o Centro de Referência é cheio de obstáculos. Para chegar ao local de treino, ela percorre uma estrada de terra, utiliza transporte escolar e é acompanhada por um professor. O percurso dura cerca de duas horas, mas em dias chuvosos, essa jornada se torna quase inviável.
Como os treinos ocorriam apenas duas vezes na semana, a solução encontrada foi improvisar uma raia de natação em um açude na propriedade da família. “Desde que comecei a treinar, a dificuldade de ir ao Centro de Referência tem sido grande. Em novembro do ano passado, perto de uma competição, meu professor estava treinando os atletas, mas eu não conseguia ir com frequência. Para melhorar meu desempenho, necessitava de mais treinos”, explicou.
Um Espaço de Liberdade
A ideia de construir a raia no açude surgiu da sugestão de sua mãe. O açude, que antes servia apenas para abastecimento de água na seca, agora se tornou o principal espaço de treinamento para Iandra. As raias foram montadas com cordas e garrafas PET, criando um ambiente que se assemelha a uma piscina semiolímpica de 25 metros.
Isso permitiu que Iandra treinasse cinco dias por semana, alternando entre o açude e o Centro de Referência. Desde o início de sua trajetória, ela participou de etapas regionais do Meeting Paralímpico e competiu duas vezes nas Paralimpíadas Escolares. “Estou determinada a treinar muito para evoluir e, quem sabe um dia, participar de uma Olimpíada. Quando estou nadando, me sinto livre e em paz. É fundamental estar bem psicologicamente para competir, por isso procuro focar em pensamentos positivos, como minha família e minha fé”, afirmou.
Buscando Conquistas
Iandra conquistou medalhas em todas as competições que participou, mas ainda almeja um lugar no pódio na fase nacional. Apesar de sua paixão pela natação, a jovem, que está no 1º ano do Ensino Médio, sonha em cursar Direito, traçando planos para um futuro promissor tanto no esporte quanto na acadêmica.
Desafios Médicos e Superação
O diagnóstico de hidrocefalia não foi simples. Após consultar vários médicos, a condição de Iandra foi identificada apenas meses depois, em 2022. A doença resultou na perda total da visão em um curto período. “Percebi que não conseguia mais enxergar as letras do quadro. Depois de uma série de exames, os oftalmologistas não encontraram nada, mas a perda de visão continuou”, contou.
Após ser encaminhada a um neurologista, foi diagnosticado o acúmulo de líquido cefalorraquidiano em seu cérebro, mas ela não foi submetida a uma cirurgia na época. A situação se agravou e, após várias tentativas, conseguiu a cirurgia que mudou sua vida. Apesar da intervenção bem-sucedida, sua visão já estava comprometida. Após a cirurgia, Iandra ficou desmotivada e interrompeu os estudos até que sua mãe a incentivou a voltar.
Com a retomada dos estudos, Iandra conheceu a natação, o que lhe permitiu traçar um novo caminho e redescobrir suas forças. Hoje, ela segue firme na prática esportiva e em sua formação acadêmica, mostrando que, apesar das adversidades, a determinação e a força de vontade podem levar a grandes conquistas.
