Close Menu
    Facebook X (Twitter) Instagram
    Wednesday, April 22
    Tendências:
    • Bailarinas em Suspeição: A História das Mulheres nos Cassinos de Pernambuco
    • Governadora Mailza Assis Reitera Compromisso com o Ministério Público do Acre
    • Semana Nacional de Combate ao Assédio e Discriminação: Ações Educativas no TJAC
    • Avanço nas Obras do Hospital Geral de Feijó: Estrutura Moderna a Partir do Dia 30
    • Inscrições para a Viver Ciência no Acre são prorrogadas até 3 de maio
    • Inovação em Cruzeiro do Sul: Casa de Farinha Móvel Moderniza Produção Rural
    • TCE Avalia Contrato do Show de Joelma no Acre Dias Antes da Apresentação
    • Importância da Sanidade da Mandioca Para a Produção Sustentável no Acre
    Acre Verdade
    • Home
    • Cultura
    • Economia
    • Entretenimento
    • Esportes
    • Política
    • Saúde
    • Tecnologia
    Acre Verdade
    Home»Cultura»Bailarinas em Suspeição: A História das Mulheres nos Cassinos de Pernambuco
    Bailarinas em Suspeição: A História das Mulheres nos Cassinos de Pernambuco
    Cultura 22/04/2026

    Bailarinas em Suspeição: A História das Mulheres nos Cassinos de Pernambuco

    Compartilhe
    Facebook Twitter LinkedIn Email WhatsApp Copy Link

    Revivendo as Memórias das Bailarinas Pernambucanas

    Um novo projeto intitulado “Bailarinas em Suspeição: Mulher, Dança e Trabalho nos Cassinos Pernambucanos (1930–1950)” traz à tona as histórias de mulheres que se destacaram em um dos períodos mais vibrantes da cultura local. Idealizado pela artista da dança Marcela Rabelo, a iniciativa será oficialmente lançada no dia 29 de abril, Dia Internacional da Dança, um marco significativo para a valorização da arte do corpo e suas narrativas.

    A estreia do projeto conta com duas vertentes principais: a publicação de um artigo científico e o lançamento de uma videodança, que estará disponível no canal do Youtube @bailarinasemsuspeição. Esses materiais são fruto de um cuidadoso processo de criação e investigação em dança, além da criação de um blog/site que funcionará como um acervo digital, reunindo o artigo, a videodança e uma coleção de documentos históricos coletados durante a pesquisa.

    Com desenvolvimento previsto entre setembro de 2025 e abril de 2026, a iniciativa busca revisitar uma época em que os cassinos eram epicentros artísticos em Recife e em todo o estado. Ao mesmo tempo, proporciona uma reflexão crítica sobre as condições de trabalho e as narrativas envolvendo as bailarinas que se apresentavam nesses espaços.

    O projeto é resultado de um cuidadoso levantamento documental que inclui a análise de jornais, revistas e, em especial, fichas e prontuários do antigo DOPS, elementos que foram acessados por meio do projeto “Obscuro Fichário dos Artistas Mundanos”, desenvolvido pela pesquisadora Clarice Hoffmann, que conta com a colaboração da professora e antropóloga Selma Albernaz.

    Um total de cerca de 90 mulheres, entre brasileiras e estrangeiras, foram mapeadas, revelando trajetórias marcadas pela vigilância, estigmas, e uma rica produção artística em dança. Marcela Rabelo destaca: “Ao acessar esses documentos, fiquei impressionada não apenas com o número de mulheres identificadas como bailarinas, mas também com a maneira como eram descritas. As fichas e reportagens associavam a profissão de bailarina a discursos de julgamento, objetificação, e desvalorização, o que levantou uma pergunta que permeia toda a pesquisa: realmente algo mudou na percepção sobre as mulheres artistas da dança desde os anos 1930 até agora?”

    O Olhar Crítico sobre o Passado

    Ao desenterrar essas histórias, o projeto ilustra como o olhar de suspeição direcionado a estas mulheres era construído com base em critérios como nacionalidade, tipos de dança praticados, estado civil, raça e movimentação entre diversas cidades e países. Documentos da época classificavam bailarinas em categorias que incluíam bailarina clássica, vedete, sambista, sapateadora, e outras, muitas vezes repletas de discursos moralizadores que extrapolavam os palcos.

    A pesquisa revela que, apesar de uma glamourização em torno das bailarinas estrangeiras nas publicações da época, todas as artistas enfrentavam um estigma moral. O caso de Maria José Rodrigues, uma bailarina pernambucana que se apresentou no Cassino Império, é um exemplo claro disso. No momento de seu fichamento no DOPS/PE, ela apresentou uma ficha do Departamento de Saúde Pública, documento frequentemente associado ao controle sanitário de mulheres em situação de prostituição, destacando como sua atuação artística era sujeita a uma vigilância que excedia a dança.

    Outro relato intrigante é o de Lilia Naldi, conhecida como Maria de Lourdes de Sousa Pinheiro, que transitava entre a dança clássica e as danças típicas brasileiras. Apesar de seu reconhecimento artístico, ela também foi monitorada, mostrando que nem o prestígio afastava a suspeição. Histórias fragmentadas, como a de Dolores, que se apresentava com o cubano Salvador Cárdenas, revelam a diversidade e os desafios enfrentados pelas bailarinas.

    Casos como o de Marga Hernandez, que dançava em duetos, e Maria Lino, associada ao maxixe, demonstram que o próprio corpo em cena era motivo de vigilância. Enquanto Carmen Brown, uma artista negra, tinha sua identidade distorcida nos arquivos, Alda Bogoslowa e Geraldine Pike apresentavam vidas marcadas por viagens e monitoramento, indicando que a vigilância se estendia muito além da cena artística.

    A Dança como Resistência

    Essas narrativas não são meras exceções, mas sim padrões que revelam a experiência de mulheres artistas constantemente observadas e julgadas. A proposta do projeto é estabelecer um diálogo com o presente, refletindo sobre questões que ainda afetam as mulheres na dança hoje, como trabalho, corpo, moralidade e representação.

    Marcela Rabelo ressalta: “Durante a pesquisa, percebi que as experiências dessas mulheres ainda ressoam na trajetória de muitas artistas contemporâneas, incluindo a minha. Esses corpos ainda enfrentam julgamentos, mas continuam a criar, resistir e reinventar suas formas de existir.”

    A videodança, que também faz parte do projeto, é uma criação de Marcela Rabelo que busca explorar as camadas de glamour, precarização e estigmatização que acompanham a figura da bailarina ao longo dos anos. Para essa obra, a artista convida três colegas da dança pernambucana, Amanda Andrade, Júlia França e Giselly Andrade, que dialogam com as técnicas de dança documentadas durante a pesquisa.

    Em uma movimentação que conecta arte, pesquisa e memória, o projeto reitera a relevância de reconhecer o papel das mulheres na formação cultural e questionar as narrativas que ainda permeiam suas histórias e trajetórias. Com o apoio do edital de fomento à cultura PNAB 2024, do Governo Federal e do Governo do Estado de Pernambuco, a iniciativa destaca a importância do investimento em projetos que promovem a pesquisa, a criação artística e a preservação da memória cultural.

    6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura Anuário Estadual de Mudanças Climáticas bailarinas pernambucanas cassinos online contadora de histórias
    acre_verdade_admin
    • Website

    Notícias relacionadas

    Cultura 22/04/2026

    Governo do Acre Convoca Professores Temporários para Cidades do Interior

    Cultura 22/04/2026

    Governo do Acre Convoca Candidatos para Entrega de Documentos na Educação

    Cultura 22/04/2026

    Edital em SC Seleciona Pontos e Pontões de Cultura para Fomentar Acesso Cultural

    publicidade
    Logotipo acre verdade

    Categorias

    • Política
    • Saúde
    • Entretenimento
    • Cultura
    • Economia
    • Esportes
    • Tecnologia
    © 2026 Acre notícias. todos os direitos reservados
    • Política de Privacidade
    • Termos
    • Sobre o Acre Verdade

    Type above and press Enter to search. Press Esc to cancel.

    Bloqueador de anúncios ativado!
    Bloqueador de anúncios ativado!
    Nosso site é possível através da exibição de anúncios on-line aos nossos visitantes. Por favor, ajude-nos desativando seu bloqueador de anúncios.