Aumento da Economia Prateada no Brasil
O Brasil já conta com 4,5 milhões de empreendedores da Economia Prateada, categoria que abrange indivíduos com mais de 60 anos. Segundo dados do Sebrae Nacional, esse número cresceu impressionantes 58,6% na última década. A entidade tem promovido programas dedicados ao empreendedorismo sênior, visando apoiar aqueles que desejam abrir seus próprios negócios.
Em 2025, o programa atendeu cerca de 869 mil pessoas, com a meta de alcançar 1 milhão em 2026. Gilvany Isaac, gestora do programa Empreendedorismo Sênior 60+, descreve esse aumento como uma verdadeira “onda forte”, impulsionada pelo desejo desse público em continuar ativo e engajado.
“Há uma possibilidade real de desenvolver uma carreira e dar continuidade às suas atividades. Estou observando que as pessoas com 60 anos se conectam a um propósito significativo. Elas buscam algo que não apenas reflita sua experiência, mas que também resolva problemas em suas comunidades”, explica Gilvany.
Vocação e Sustentabilidade
Gilvany também mencionou que, ao longo do programa, foi possível notar uma vocação clara desse público para trabalhar com saberes tradicionais e vocações locais, como artesanato, cultivo de sementes e ervas medicinais. No Sul do Brasil, por exemplo, destaca-se a produção de artesanato feito a partir de redes de pesca, desenvolvido por mulheres de comunidades pesqueiras.
“Observamos que a geração 60+ demonstra um cuidado genuíno com o meio ambiente, uma vez que presenciaram diversas transformações ao longo de suas vidas. Ao caminharmos pelo presente, percebemos a responsabilidade em manter o planeta vivo da forma que eles conheceram”, comenta Gilvany.
Dentre os setores que mais atraem esse público para empreendimentos, destacam-se turismo, comércio e serviços. O Sebrae oferece mentorias e consultorias para orientar os que desejam abrir negócios, além de atender às necessidades específicas do consumidor sênior. A participação dos idosos nos programas é alta, e os índices de desistência são notavelmente baixos.
“Os participantes são extremamente engajados. O Sebrae adapta todo o projeto às necessidades do empreendedor maduro que busca aproveitar a vida, sem precisar dedicar todo seu tempo ao negócio”, acrescenta Gilvany.
Transformações no Mercado de Trabalho
O desejo de empreender entre os 60+ também está ligado às transformações demográficas e, consequentemente, ao mercado de trabalho. A expectativa de vida ao nascer aumentou de 62,6 anos em 1980 para 76,4 anos em 2023, o que impactou diretamente a Geração Prateada.
Atualmente, cerca de 20% da população brasileira em idade ativa é composta por indivíduos dessa faixa etária, conforme revela um estudo da pesquisadora Janaína Feijó, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV).
Os estados com as maiores proporções de idosos na População em Idade Ativa (PIA) em 2024 incluem Rio de Janeiro (24,1%), Rio Grande do Sul (23,7%) e São Paulo (21,7%). As menores concentrações foram registradas em Roraima (12%), Acre (12,4%) e Amazonas (13%).
“Ao contrário dos estereótipos que associam envelhecimento à inatividade, a Geração Prateada apresenta um perfil mais saudável, engajado e consumidor”, destaca Janaína.
Ela frisa que existem dois tipos de perfis entre os idosos economicamente ativos: aqueles que trabalham por necessidade financeira e aqueles que buscam permanecer ativos e com vínculos profissionais. No entanto, o etarismo, ou discriminação contra os mais velhos, continua a ser um obstáculo significativo para a permanência dos 60+ no mercado de trabalho.
“No Brasil, a população está envelhecendo e não temos jovens suficientes para substituir essa mão-de-obra que também está envelhecendo. Ignorar a contribuição dos trabalhadores 60+ prejudica o crescimento econômico do país”, conclui Janaína.
