Motivos para a Baixa Cobertura da Vacina Bivalente
A baixa adesão à vacina bivalente contra a Covid-19 no Acre, conforme apontam os dados mais recentes do Ministério da Saúde, é explicada por fatores técnicos, e não necessariamente pela falta de interesse da população. Em entrevista ao ac24horas nesta segunda-feira (20), a coordenadora estadual de imunizações da Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre), Renata Aparecida Rossato Quiles, ofereceu esclarecimentos sobre a questão.
De acordo com Renata, a vacina bivalente deixou de ser administrada em 2024, o que implicou na paralisação da atualização dos indicadores de cobertura dessa vacina. Isso resultou em números que permanecem estagnados e não refletem a atual estratégia de vacinação adotada no estado. “Atualmente, estamos avaliando apenas a vacina em uso, que é a monovalente. Portanto, a cobertura da bivalente não avança mais”, detalhou a gestora.
Análise dos Dados de Cobertura Vacinal
Os dados do painel nacional revelam que apenas 12,93% da população do Acre recebeu a dose bivalente. Esse percentual, isoladamente, poderia sugerir uma baixa adesão, mas é fundamental considerar a mudança no esquema vacinal estabelecido em âmbito nacional. O foco neste momento está na vacina monovalente, que continua disponível e é crucial para a redução de casos graves e óbitos pelo coronavírus.
Conforme Renata, a procura pela vacina monovalente tem mostrado uma queda, especialmente entre os grupos mais vulneráveis. “É preocupante que os grupos prioritários, como gestantes, idosos e crianças menores de 5 anos, estejam deixando de se imunizar. Além disso, pessoas com comorbidades precisam manter a rotina de reforços anuais”, alertou.
Diretrizes do Ministério da Saúde para Imunização
O Ministério da Saúde estabelece um esquema vacinal básico de duas doses contra a Covid-19 para todos os indivíduos a partir dos 12 anos. Para os grupos prioritários, que incluem trabalhadores da saúde, povos indígenas, ribeirinhos, quilombolas, pessoas com deficiência, indivíduos privados de liberdade e aqueles em situação de rua, recomenda-se, além do esquema inicial, uma dose de reforço anual.
No caso de pessoas imunocomprometidas, o protocolo de vacinação é ainda mais estrito. Este grupo inclui pacientes com imunodeficiência primária grave, aqueles em tratamento recente de câncer, transplantados, indivíduos vivendo com HIV/Aids e aqueles que utilizam medicamentos imunossupressores, como corticoides em altas doses. Para esses pacientes, a orientação é seguir o esquema básico e receber dois reforços anuais.
Grupos que Exigem Maior Atenção
Além dos imunocomprometidos, merece atenção especial pessoas com doenças crônicas ou inflamatórias, pacientes em hemodiálise e idosos com mais de 60 anos, bem como gestantes e puérperas, que apresentam maior risco de complicações em decorrência da Covid-19.
No Acre, a vacina monovalente está disponível em toda a rede pública de saúde, através das unidades de imunobiológicos especiais nos municípios. Os cidadãos de Rio Branco podem se dirigir ao Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE) e às Unidades de Referência de Atenção Primária (URAPs) para receber a imunização.
