Condições de Estudo Precarizadas
Na Comunidade Belém, localizada a dois dias de barco do município de Jordão, no interior do Acre, moradores estão levantando a voz em protesto contra as condições deploráveis da Escola Estadual Itapecerica. A unidade, situada às margens do Rio Muru, apresenta estrutura comprometida e um número insuficiente de professores. Reportagens locais mostram que a escola, construída de madeira, possui diversas frestas nas paredes, permitindo que a chuva invada as salas de aula. Em um vídeo divulgado, é possível observar estudantes assistindo às aulas em uma sala molhada, onde os docentes improvisaram coberturas com tecido TNT para minimizar os danos.
Devido à forte chuva, os alunos têm que guardar seus materiais escolares em locais seguros, evitando que sejam danificados pelas goteiras que constantemente molham o ambiente de aprendizado. A precariedade das instalações tem gerado angústia entre os alunos e suas famílias.
Resposta da Secretaria de Educação
A Secretaria de Estado de Educação e Cultura do Acre (SEE-AC) se manifestou sobre a situação, informando que a escola é anexa à Escola Estadual Joaquim Nabuco e que um contrato foi firmado com uma empresa de manutenção. A SEE-AC anunciou a liberação de R$ 350 mil para iniciar os reparos necessários e afirmou que técnicos já realizaram visitas para avaliar o que precisa ser feito.
Leia também: Educação no Acre: 3° Seminário de Psicologia Escolar e Educacional Aprofunda Debates
Leia também: Convocação para Posse: Aprovados no Concurso da Educação no Acre
Estudantes Pensam em Desistir dos Estudos
Atendendo alunos do 6º ano do ensino fundamental ao 3º ano do ensino médio, a Escola Estadual Itapecerica é a única opção disponível na região, o que força os estudantes a enfrentarem as dificuldades diárias. Atualmente, a instituição conta com apenas dois professores para ministrar todas as disciplinas. Uma ex-aluna, que pediu para não ser identificada, compartilhou sua preocupação com o aumento das desistências. “Sempre foi assim. Muitos alunos estão desistindo, meu irmão é um deles. Ele diz que prefere trabalhar do que estudar, pois acredita que não vale a pena”, relata. Essa jovem se esforça para incentivar seus irmãos a continuarem os estudos, apesar dos obstáculos que enfrentam.
Ela destacou que a situação é tão crítica que os alunos decidiram filmar e compartilhar suas experiências nas redes sociais como forma de chamar atenção para o problema. “Graças a Deus me formei no ensino médio no ano passado, mas meus irmãos ainda estão passando pelos mesmos problemas que enfrentei desde o 6º ano. Não temos cadeiras adequadas e as que existem estão quebradas”, lamentou.
Leia também: Corte de 7,16% no Orçamento do Ifac: Perda de R$ 1,8 Milhão Afeta Educação no Acre
Leia também: Concurso da Educação no Acre: Resultado Final Divulgado e Convocação em Breve
Dificuldades de Acesso à Educação
A ex-aluna também comentou sobre as limitações de acesso a outras escolas na região. “Para chegarmos até Jordão, levamos dois dias de barco, e a viagem até Tarauacá leva três dias. Existe uma outra escola nas proximidades, mas a viagem de barco leva meio dia, o que torna inviável”, afirmou. Segundo ela, o trajeto para a escola atual é de apenas 30 minutos pelo rio, o que já é considerado longe. “Imaginem se tivéssemos que ir para um lugar mais distante”, refletiu.
A comunidade aguarda medidas efetivas para a melhoria das condições da Escola Estadual Itapecerica, que desempenha um papel crucial na formação de seus jovens, em meio a um cenário de desafios e limitações.
