Decisão do STJ e suas Implicações
Na quarta-feira, 6, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) impôs uma severa sanção ao ex-governador do Acre, Gladson Cameli, do Partido Progressista (PP), ao condená-lo a 25 anos e 9 meses de prisão. As acusações incluem dispensa indevida de licitação, peculato, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e associação criminosa. Cameli, que se afastou do cargo em abril para buscar uma vaga no Senado neste ano, também foi declarado inelegível por um período de oito anos.
A defesa do ex-governador expressou insatisfação com o processo, alegando que o julgamento foi realizado sem a oportunidade de se manifestar plenamente. A nota divulgada pelos advogados Pedro Ivo Velloso e Francisco Agosti afirma: “Temos plena convicção de que a decisão do STJ será anulada e a inocência de Gladson Cameli será prontamente declarada”.
Consequências da Decisão Judicial
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Embora a sentença ainda não tenha transitado em julgado, a Lei da Ficha Limpa determina que Cameli se torna inelegível com esta condenação por um colegiado. A única forma de reverter essa situação seria através de uma liminar na Justiça Eleitoral, permitindo que ele concorresse nas próximas eleições, ainda que sub judice, até a conclusão de todos os recursos legais.
O julgamento foi encerrado com um placar de oito votos a favor da condenação, incluindo o de Nancy Andrighi, relatora do caso. Outros três ministros acompanharam o revisor João Otávio de Noronha, propondo uma pena menor, de 16 anos, em divergência sobre a dosimetria.
Operação Ptolomeu e as Investigações em Curso
As investigações que levaram à condenação de Cameli foram originadas na Operação Ptolomeu, que desvelou um esquema de corrupção que resultou em nove inquéritos envolvendo o ex-governador, suspeito de desviar cerca de R$ 16 milhões. O foco inicial da denúncia é um contrato firmado pela Secretaria de Infraestrutura e Desenvolvimento Urbano do Estado do Acre com a empresa Murano Construções em maio de 2019, durante o primeiro mandato de Cameli, destinado à manutenção de prédios públicos.
A reportagem tenta contato com a defesa da Murano Construções quanto a estas alegações. Os investigadores descobriram que, um dia após a assinatura do contrato, a empresa estabeleceu uma parceria com a Rio Negro, que é administrada por Gledson Cameli, irmão do ex-governador. Esta transação resultou na transferência de quase R$ 2 milhões para a conta da Rio Negro.
Provas e Ações Futuras
A avaliação dos investigadores sugere que houve um acordo para a contratação indireta da empresa do irmão do governador, com a intenção de ocultar sua participação e evitar a suspeita de órgãos de controle e investigação.
Um dos pontos considerados cruciais pela Procuradoria Geral da República (PGR) no caso é a aquisição de um apartamento, avaliado em R$ 6 milhões, localizado no bairro dos Jardins, em São Paulo. Este imóvel é supostamente relacionado ao pagamento de propina. A Polícia Federal (PF) apontou que o pagamento do apartamento foi realizado pela empresa do irmão de Cameli, após receber transferências de outra companhia que, por sua vez, foi financiada pela Murano Construções, que possui mais de R$ 30 milhões em contratos com o Governo do Acre.
