Condenação e Inelegibilidade do Ex-Governador
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) tomou uma decisão significativa nesta quarta-feira, 6, ao condenar o ex-governador do Acre, Gladson Cameli (PP), a 25 anos e 9 meses de reclusão. Ele foi encontrado culpado de crimes como dispensa indevida de licitação, peculato, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Além da longa pena, Cameli também se torna inelegível por um período de oito anos, uma consequência direta de sua renúncia em abril, quando decidiu concorrer a uma vaga no Senado nas eleições de outubro.
O Estadão, em busca de uma resposta do ex-governador a respeito de sua condenação, deixou claro que o espaço para manifestação permanece aberto. Historicamente, Gladson Cameli sempre negou a prática de qualquer ato ilícito durante sua gestão, mesmo diante das investigações da Polícia Federal e da denúncia formal pela Procuradoria-Geral da República.
Investigação e Denúncia
A condenação do ex-governador resulta de um processo que se originou nas apurações da Operação Ptolomeu, uma investigação abrangente sobre corrupção que culminou em nove inquéritos contra Cameli, acusado de desviar cerca de R$ 16 milhões dos cofres públicos.
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O foco da denúncia está em um contrato firmado pela Secretaria de Infraestrutura e Desenvolvimento Urbano do Estado do Acre com a empresa Murano Construções, datado de maio de 2019, durante o primeiro mandato do governador. A reportagem também tenta contatar a defesa da empresa para esclarecer sua participação no processo.
Conexões Suspeitas com Empresas
Os investigadores descobriram que, apenas um dia após a assinatura do contrato, a Murano estabeleceu uma parceria com a empresa Rio Negro, a qual é gerida por Gledson Cameli, irmão do ex-governador. Este acordo levantou suspeitas, uma vez que a Rio Negro teria recebido quase R$ 2 milhões, sugerindo um possível acerto entre as partes para facilitar a contratação indireta e disfarçar a participação do irmão do governador, evitando assim a atenção de órgãos de controle e investigação.
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Provas de Corrupção
Um dos pontos centrais da acusação de corrupção contra Gladson Cameli é a aquisição de um apartamento avaliado em R$ 6 milhões, localizado no bairro dos Jardins, em São Paulo. As autoridades apontam que o imóvel serviu como um pagamento de propina.
A Polícia Federal (PF) apurou que o apartamento foi adquirido com recursos provenientes da empresa do irmão do governador, que recebeu transferências de outra empresa, a qual tinha, por sua vez, recebido valores da Murano Construções. Vale destacar que a Murano detém mais de R$ 30 milhões em contratos com o Governo do Acre, o que torna ainda mais complexa a rede de relações em torno das acusações.
