Investimentos culturais ganham destaque no Acre para 2026
Com um orçamento previsto de R$ 3,12 milhões, o Acre inicia uma importante etapa para definir o futuro das políticas públicas culturais. Nesta quarta-feira, 10, a Fundação de Cultura Elias Mansour (FEM) e o Conselho Estadual de Cultura (Concultura) promovem o Fórum de Cultura, um espaço dedicado à apresentação do Plano Anual de Investimentos (PAI) 2026 e à definição das diretrizes dos editais do Fundo Estadual de Cultura.
O evento, que acontece na Filmoteca Acreana a partir das 17h30, reúne presencialmente mais de cem participantes entre produtores culturais, gestores, artistas e representantes da sociedade civil, além de contar com transmissão ao vivo pela internet. Este momento vai além de uma simples reunião administrativa: representa uma construção coletiva para decidir como os recursos públicos serão distribuídos entre artistas, coletivos, mestres da tradição popular, povos originários e entidades representativas de todo o estado.
Distribuição dos recursos e apoio a diversos grupos culturais
Do total de R$ 3,12 milhões, R$ 2,4 milhões serão destinados ao Programa Estadual de Fomento e Incentivo à Cultura (Precult), considerado o principal mecanismo de financiamento da produção cultural no Acre. A maior parte desses recursos, R$ 1 milhão, será investida no Edital Arte e Patrimônio – Geral, que contemplará 40 projetos. Deste montante, 30 propostas de pessoas físicas receberão R$ 20 mil cada, totalizando R$ 600 mil, enquanto dez projetos de pessoas jurídicas terão incentivos de R$ 40 mil cada, somando outros R$ 400 mil.
Além disso, o edital destinado a artistas iniciantes reserva R$ 200 mil para apoiar dez projetos de pessoas físicas, com repasse individual de R$ 20 mil. Outro destaque é o Edital Prêmio Povos Originários, que destina R$ 500 mil para 40 iniciativas indígenas, com incentivo de R$ 12,5 mil para cada projeto selecionado, reforçando o reconhecimento da diversidade cultural acreana.
Os mestres da cultura popular também serão contemplados com um edital específico que prevê R$ 300 mil para 24 projetos, cada um recebendo R$ 12,5 mil. Já as entidades representativas poderão disputar R$ 400 mil, divididos entre quatro projetos de pessoas jurídicas, com financiamento de R$ 100 mil por proposta aprovada.
Ações estruturantes para fortalecer o sistema cultural
Além do incentivo direto à produção artística, o PAI inclui ainda investimentos em ações estruturantes. Estão previstos R$ 200 mil para o fortalecimento do Sistema Estadual de Cultura, R$ 400 mil para melhorias e qualificação da infraestrutura dos equipamentos culturais, e R$ 120 mil destinados à remuneração das comissões de pareceristas responsáveis pela análise técnica dos projetos.
Elane Cristine Almeida, chefe do Departamento de Políticas Culturais da FEM, ressalta que o objetivo é ampliar a participação social e garantir total transparência ao processo. “Nossa intenção é dar a maior transparência possível a todo esse processo de construção, para que todos possam participar das discussões e das decisões”, afirma.
O formato híbrido do fórum permite que agentes culturais de diferentes municípios acompanhem as discussões remotamente, com transmissão pelo canal oficial da FEM no YouTube. A memória do encontro será encaminhada ao Concultura e posteriormente publicada no portal institucional da fundação.
Em um estado onde a produção cultural enfrenta desafios como o financiamento e a distância geográfica, os recursos previstos para 2026 representam mais do que aporte financeiro: simbolizam o fortalecimento das políticas públicas voltadas ao setor. Ao investir mais de R$ 3 milhões em editais, infraestrutura e gestão cultural, o Acre reforça a cultura como elemento de identidade, inclusão e desenvolvimento econômico, apoiando artistas, comunidades e histórias que preservam a memória coletiva e projetam novas narrativas sobre a riqueza cultural local.
