Início do 18º Circuito Junino de Rio Branco
Na sexta-feira, 12 de junho, Rio Branco dá início ao 18º Circuito Junino, um dos eventos mais significativos do calendário cultural do Acre. Realizado na Praça da Revolução, o festival deste ano destaca uma tendência marcante nos arraiais contemporâneos: a integração entre a dança tradicional das quadrilhas e elementos dramáticos que aprofundam a reflexão social e cultural.
As quadrilhas Amor Junino, Explode Coração e Matutos na Roça são as responsáveis por abrir a programação, trazendo apresentações que ultrapassam o movimento coreográfico para ocupar o tablado como palco da memória coletiva e da expressão social. O evento é organizado pela Liga de quadrilhas juninas do Acre (Liquajac), em parceria com a Prefeitura de Rio Branco.
Amor Junino e a nostalgia das brincadeiras de rua
A Amor Junino, fundada em 2014 e retornando ao circuito após um período de pausa, será a primeira a se apresentar com o tema “Do Clique ao Pique”. O espetáculo propõe uma crítica leve e lúdica ao isolamento social causado pela dependência da tecnologia na era digital, resgatando as brincadeiras tradicionais da infância, como pega-pega, esconde-esconde e cantigas de roda.
Leia também: Rio Branco inaugura 18º Circuito Junino com quadrilhas, geração de renda e transmissão da Copa do Mundo
Leia também: Prefeitura de Rio Branco inaugura 18º Circuito Junino com grande celebração cultural
O visual da quadrilha aposta em figurinos coloridos que evocam o imaginário infantil, enquanto o casamento junino ganha uma releitura fantasiosa, com referências a obras literárias como “Alice no País das Maravilhas” e “Sítio do Picapau Amarelo”. Essa proposta traz à tona a atmosfera dos quintais de antigamente, convidando o público a revisitar memórias afetivas.
Explode Coração e as histórias invisibilizadas
Na sequência, a Explode Coração apresenta “Era uma vez, um conto que a história não conta”, um enredo que resgata personagens e narrativas esquecidas pela história oficial. O grupo valoriza a tradição oral e o folclore como meios de preservar essas vozes que resistem ao tempo, estimulando a reflexão sobre identidade cultural e pertencimento.
Com cenários imponentes e uma produção visual envolvente, a quadrilha leva o público a questionar quem são os verdadeiros narradores da história, celebrando o imaginário popular que atravessa gerações.
Leia também: Esquenta Junino 2026: Abertura da Temporada de Festas em Rio Branco
Leia também: Ciclo Junino 2026: A Celebração da Cultura e da Economia em Sergipe
Matutos na Roça e o combate à violência doméstica
Fechando a primeira noite, a Matutos na Roça, do bairro Aeroporto Velho, aborda um tema urgente com o espetáculo “Hoje Eu Recebi Flores”. A apresentação denuncia a violência contra a mulher e o feminicídio, acompanhando a trajetória da personagem Narraiane Duarte, que enfrenta ciclos de agressão desde a infância até a vida adulta.
O espetáculo incorpora elementos reais da rede de proteção, como a Lei Maria da Penha, o apoio comunitário representado pelas “Três Marias” e táticas de denúncia, incluindo uma encenação de pedido de entrega de pizza para acionar a polícia. Apesar da temática pesada, a quadrilha mantém sua identidade tradicional, reunindo cerca de 90 integrantes que desfilam ao som dos passos que a consagraram como uma das principais campeãs do estado.
Reflexão cultural e continuidade do São João
A abertura do 18º Circuito Junino expõe o amadurecimento do movimento junino acreano ao combinar infância, folclore e protesto social em uma única programação. Essas quadrilhas reafirmam o São João como uma das expressões culturais mais vivas e relevantes para a comunidade, mantendo o evento como espaço de circulação artística e diálogo cultural em Rio Branco.
