El Niño confirmado: um fenômeno que eleva as temperaturas globais
O El Niño, fenômeno climático natural responsável por elevar as temperaturas globais, foi oficialmente declarado em curso por cientistas americanos na última quinta-feira (11/06). A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA) confirmou que as condições típicas desse evento já estão presentes no Pacífico tropical, com um aumento expressivo da temperatura da superfície do mar nos últimos meses.
Especialistas das principais agências climáticas do mundo indicam que o El Niño de 2024 poderá estar entre os mais fortes já registrados, configurando um possível “super” El Niño. A Organização Meteorológica Mundial, órgão da ONU, já alertou para a força desse fenômeno esperado para 2026, que deve provocar uma onda de eventos climáticos extremos em várias regiões do planeta.
Monitoramento e sinais que indicam a chegada do fenômeno
Prever exatamente o momento e a intensidade do El Niño é um desafio para os cientistas, que acompanham atentamente os sinais no oceano Pacífico. A confirmação recente veio ao constatar que as temperaturas da superfície do mar no Pacífico central e tropical ultrapassaram o limite de 0,5°C acima da média, valor que caracteriza o início do fenômeno.
O El Niño se forma quando mudanças nos padrões dos ventos favorecem a propagação de águas mais quentes pela região tropical do Pacífico, alterando o clima global. “Temos bastante certeza de que um grande evento está por vir”, afirmou o professor Adam Scaife, chefe de previsões de médio e longo prazo do Serviço Nacional de Meteorologia do Reino Unido. Ele destacou que este evento pode até se tornar recorde em intensidade.
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Um dos fatores que apontam para um El Niño forte está abaixo da superfície do oceano. Dados coletados por satélites, boias e sensores flutuantes mostram uma massa incomum de água quente, com temperaturas até 6 ºC acima da média em algumas áreas, avançando a centenas de metros de profundidade no Pacífico.
Segundo a cientista Michelle L’Heureux, do Centro de Previsões Climáticas da Agência Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA), esse aquecimento profundo é comparável aos eventos El Niño mais intensos já observados. O calor acumulado nessas águas costuma preceder o aumento das temperaturas superficiais, que impacta os padrões climáticos globais.
Impactos práticos do El Niño para economia e sociedade
O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou que as condições provocadas pelo El Niño “colocarão lenha na fogueira de um mundo em aquecimento”, ampliando os impactos climáticos e econômicos com rapidez e intensidade. Os efeitos são variados e atingem diferentes regiões em épocas distintas, já que não existem dois El Niños iguais.
Em geral, um El Niño forte traz calor e seca para partes da América do Sul, sudeste asiático e Austrália, elevando o risco de secas e incêndios florestais. Na Índia, as monções tendem a enfraquecer, e o norte do chifre da África pode enfrentar períodos mais secos. Por outro lado, o sul dos Estados Unidos pode registrar chuvas mais intensas, aumentando a possibilidade de enchentes.
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Na Europa, o El Niño pode influenciar o inverno britânico, começando de forma moderada e terminando mais frio, embora essa relação seja menos direta para o noroeste do continente.
Historicamente, eventos de El Niño foram associados a aumentos globais nos preços dos alimentos e prejuízos bilionários, afetando a produção agrícola e interrompendo cadeias de abastecimento. Esses impactos refletem diretamente na economia de vários países, influenciando renda, emprego e consumo.
Como o pico do El Niño geralmente ocorre perto do Natal, ainda é cedo para afirmar se o fenômeno de 2024 baterá recordes. Sua intensidade depende muito dos padrões dos ventos, que são o “maior cartão de visita” do El Niño, segundo L’Heureux, e cuja previsão com tanta antecedência é complexa.
O climatologista Zeke Hausfather, do grupo americano Berkeley Earth, projeta que 2027 será provavelmente o ano mais quente já registrado. Ele compara o atual momento com o El Niño de 1998, que foi um dos mais fortes da história e marcou um ano extremamente quente na época. “Se aquele evento ocorresse hoje, pareceria frio em comparação com as últimas duas décadas”, destaca Hausfather, evidenciando o impacto humano no clima do planeta.
