Inovação na prevenção do câncer do colo do útero
A Prefeitura de Rio Branco, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, iniciou a implantação do teste molecular para detecção do DNA-HPV oncogênico na rede pública de saúde. A novidade começou a ser aplicada na Unidade de Referência de Atenção Primária (URAP) Augusto Hidalgo de Lima, que serve como unidade-piloto nesta fase inicial. A expectativa é expandir o serviço para a Unidade de Saúde da Família (USF) Manoel Alves Bezerra e, progressivamente, para outras unidades municipais.
Avanço tecnológico para um diagnóstico mais precoce
Este exame permite identificar a presença dos tipos de HPV associados a maior risco de câncer do colo do útero, mesmo antes do surgimento de lesões. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), Rio Branco deve registrar 60 novos casos da doença em 2026, enquanto o Acre terá uma estimativa de 90 casos. Com o teste molecular, o rastreamento segue as novas diretrizes nacionais e, em caso de resultado negativo, o intervalo para repetição do exame pode ser estendido para cinco anos.
Impacto na saúde pública e alcance para o público prioritário
A enfermeira Carla Costa destaca que a chegada do teste representa um avanço significativo, pois antes o exame estava disponível apenas na rede particular, com custo elevado. “Nós não o tínhamos na rede pública. Era um exame somente no particular, de alto custo e extremamente necessário”, afirma. A principal diferença do DNA-HPV é a possibilidade de detectar o vírus antes das alterações no colo do útero, mudando o foco da prevenção para um estágio mais precoce da doença.
Nesta etapa inicial, o público-alvo compreende pessoas com colo do útero entre 30 e 49 anos que nunca realizaram o rastreamento ou que estão há mais de 36 meses sem fazer o exame. As equipes da URAP Augusto Hidalgo de Lima estão realizando busca ativa para convocar essas pessoas, garantindo maior cobertura e acesso ao diagnóstico.
Benefícios para pacientes e a rede municipal de saúde
Para Katiana Pacífico, chefe da Divisão de Rastreamento e Prevenção do Câncer da Secretaria Municipal de Saúde, a incorporação da nova tecnologia representa um avanço notável na prevenção. Além de maior sensibilidade, o teste permite ampliar o intervalo de rastreamento para cinco anos quando o resultado é negativo, reduzindo a frequência dos exames sem comprometer a segurança.
Um exemplo da importância do teste é a história de Maria Raimunda Pereira, 43 anos, diagnosticada com câncer do colo do útero em 2017 e que realizou tratamento na rede particular. Após anos de acompanhamento, ela voltou a fazer os exames pela rede pública e agora tem acesso gratuito ao teste molecular. “Cinco anos depois eu repeti e, graças a Deus, não deu nada. Agora, em 2026, estou fazendo esse exame para ver como está a situação. Esse exame não é barato e eu estou fazendo pelo SUS, grátis”, relata.
Expansão gradual e monitoramento do serviço
A implantação do teste molecular ocorre de forma gradual e organizada, permitindo que a Secretaria Municipal de Saúde avalie os processos de atendimento, coleta e processamento laboratorial antes de ampliar o serviço para outras unidades da rede pública. A medida representa um passo importante para a prevenção do câncer do colo do útero em Rio Branco, ampliando o acesso a exames mais precisos e melhorando a gestão do cuidado na rede municipal.
