Regionalização da Saúde: Levar o Atendimento para Perto do Paciente
Pedro pascoal, candidato a deputado federal pelo Acre, conversou com a Rádio Alto Acre em Brasiléia para falar sobre sua experiência à frente da Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre) e as prioridades para sua campanha. Médico atuante em urgência e emergência, ele comandou a pasta por três anos e três meses, até abril deste ano, quando se afastou para concorrer nas eleições.
Durante sua gestão, a regionalização da saúde foi o eixo central da política estadual. A ideia é distribuir serviços especializados para o interior, evitando que pacientes precisem se deslocar até a capital, Rio Branco, para procedimentos essenciais. “Entramos com a ideia da regionalização em janeiro de 2023. Queremos levar a saúde para perto do paciente, não o contrário. A meta foi estruturar os interiores para que os pacientes fossem atendidos localmente, deixando a capital para casos de alta complexidade”, explicou Pascoal.
Unidades em cidades como Brasiléia, Tarauacá, Cruzeiro do Sul e Senador Guiomard foram reformuladas ou equipadas. Centros cirúrgicos que estavam fechados há décadas em Plácido de Castro e Mâncio Lima também voltaram a funcionar. Cruzeiro do Sul, por exemplo, se tornou referência ao oferecer exames de ressonância magnética, hemodinâmica e tratamento de quimioterapia, serviços que antes demandavam viagens longas para Rio Branco. Pacientes oncológicos, inclusive, têm iniciado radioterapia em até 48 horas, com atendimento até para moradores do Amazonas e estados vizinhos.
Resultados e Inovações na Gestão da Saúde
Entre 2023 e 2025, o Acre liderou o ranking nacional de cirurgias realizadas, com mais de 45 mil procedimentos. Outro avanço significativo foi o transporte aéreo por helicóptero para remoção de pacientes graves. Embora esse serviço existisse há mais de dez anos, só foi operacionalizado efetivamente durante a gestão de Pascoal. Esses resultados refletem a dedicação em ampliar o acesso e a qualidade do atendimento no estado.
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Prioridades da Campanha: Saúde, Feminicídio e Infraestrutura
Pedro Pascoal estruturou sua candidatura em torno de três pautas que se complementam. Além da continuidade da regionalização da saúde, ele destaca o combate ao feminicídio e a melhoria das rodovias federais que cortam o Acre.
Sobre a violência contra a mulher, ele lembra que o Acre ocupa a sexta posição no ranking nacional. Enfatiza que as unidades de saúde são a primeira porta de entrada para mulheres em situação de violência, antes mesmo das delegacias. Para enfrentar o problema, defende políticas que promovam a autonomia financeira feminina, como forma de romper o ciclo de violência doméstica. A parceria com a candidata a deputada estadual Patty Parente reforça esse compromisso.
Na área da infraestrutura, Pascoal critica as condições precárias das rodovias federais, que dificultam o transporte de pacientes pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). “Nossos pacientes são transportados por estradas cheias de buracos. O Acre precisa de parlamentares que levem essa demanda com urgência”, afirmou.
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Hospital Regional do Alto Acre: Desafios e Alternativas
Um tema delicado abordado na entrevista foi o Hospital Regional do Alto Acre. Apesar de concursos públicos, chamamento de cadastro de reserva e editais específicos realizados durante sua gestão, a unidade ainda enfrenta a falta de especialistas fixos. As tentativas de atrair profissionais não tiveram sucesso, e uma auditoria do Ministério Público orientou a contratação por meio do terceiro setor como alternativa.
Pascoal revelou que a proposta de regionalizar o atendimento no hospital foi apresentada à atual gestão estadual, mas ainda não avançou. Ele destacou a importância de distinguir terceirização de privatização, citando o funcionamento da ressonância magnética do hospital, operada por uma empresa privada, como um exemplo bem-sucedido de parceria pública.
O candidato defende que a continuidade da regionalização é essencial para fortalecer o sistema público de saúde no Acre, garantir o acesso dos pacientes aos serviços especializados e melhorar a qualidade do atendimento, especialmente nas regiões mais afastadas da capital.
