Investimentos em saneamento movimentam a economia do Acre
Um levantamento do Instituto Trata Brasil, divulgado em agosto de 2026, revela que as operações e investimentos no saneamento básico dos 22 municípios do Acre têm impacto significativo na economia estadual. O estudo, intitulado “Benefícios Econômicos da Expansão do Saneamento no Acre”, aponta que o setor sustentou uma média anual de 1.702 empregos e gerou cerca de R$ 141,3 milhões em renda entre 2010 e 2024.
O cálculo considera os efeitos diretos, indiretos e induzidos das atividades, incluindo obras, expansão das redes de água e esgoto, além da operação dos serviços de saneamento.
Investimentos somam mais de meio bilhão em 14 anos
Durante o período analisado, os investimentos em manutenção e ampliação das redes de abastecimento e coleta chegaram a R$ 560,259 milhões, corrigidos pela inflação. A média anual foi de R$ 37,351 milhões, o que representa R$ 676,43 por habitante no acumulado, ou aproximadamente R$ 45,10 por habitante ao ano.
Esse valor é inferior à média nacional e regional: no Brasil, o investimento anual por habitante foi de R$ 104,89, enquanto na Região Norte atingiu R$ 52,14. O estudo destaca que o volume de investimentos no Acre ainda não é suficiente para avançar rumo à universalização do saneamento básico.
Geração de empregos e renda nas obras
Na construção civil, as obras de saneamento sustentaram uma média de 140 empregos diretos por ano, gerando R$ 6,248 milhões anuais em salários, benefícios e encargos trabalhistas. Além disso, as construtoras movimentaram fornecedores de materiais e serviços, com gastos estimados em R$ 22,854 milhões por ano, o que corresponde a 61,2% do investimento médio.
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Considerando os impactos indiretos e induzidos, os investimentos em expansão das redes geraram cerca de 333 empregos anuais e R$ 39,443 milhões em renda para a economia local.
Operação de saneamento mantém milhares de empregos
O impacto econômico também se estende à operação dos sistemas de abastecimento de água, coleta e tratamento de esgoto. Entre 2010 e 2024, a receita média anual dessas operações foi de R$ 97,878 milhões, sustentando 663 empregos diretos.
Os gastos com salários, benefícios e encargos trabalhistas somaram R$ 55,212 milhões por ano. Outros R$ 43,468 milhões foram investidos em insumos e serviços essenciais para manter o funcionamento dos sistemas.
A renda gerada diretamente pelas atividades do setor atingiu R$ 54,410 milhões anualmente em média.
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Efeitos indiretos e induzidos ampliam impacto econômico
Na cadeia produtiva do saneamento, o estudo estima a criação de 342 empregos indiretos por ano, relacionados a indústrias fornecedoras e empresas de serviços. A renda indireta anual foi estimada em R$ 26,176 milhões.
Somando os efeitos diretos e indiretos, a renda alcançou R$ 80,585 milhões por ano. Já os efeitos induzidos — principalmente o consumo gerado pela renda dos trabalhadores — representaram cerca de 698 empregos e R$ 60,702 milhões em renda anual.
Assim, a soma dos impactos direto, indireto e induzido mostra que as operações de saneamento nos municípios do Acre sustentaram 1.702 empregos e geraram R$ 141,288 milhões em renda média anual entre 2010 e 2024.
Saneamento como motor do desenvolvimento econômico
Além dos benefícios para a saúde pública, meio ambiente e qualidade de vida, o levantamento mostra que a expansão do saneamento é um importante vetor de crescimento econômico. Os investimentos movimentam setores como construção civil, indústria, comércio e serviços, enquanto a operação dos sistemas mantém empregos e gera renda em diversos segmentos.
