Produção como motor para o crescimento econômico do Acre
O candidato ao governo do Acre, Tião Bocalom (PSDB), apresenta um plano ambicioso para o período de 2027 a 2030, que visa transformar a economia estadual, atualmente dominada pelo setor de serviços, em um modelo pautado na produção e na geração de emprego. Sob o lema “Produzir para empregar”, o agronegócio emerge como peça central da estratégia, mas as propostas abrangem também infraestrutura, segurança, saúde, educação, tecnologia, indústria, comércio, cultura e turismo.
Redução da dependência dos serviços e estímulo à produção local
O diagnóstico econômico que fundamenta o plano revela que cerca de 85% do Produto Interno Bruto (PIB) do Acre está concentrado no setor de serviços. Para diversificar essa base e reduzir a vulnerabilidade econômica, Bocalom propõe ampliar a produção agrícola e industrial, criando condições para transformar e comercializar localmente os produtos acreanos, além de fomentar a exportação.
A localização estratégica do estado, com fronteiras terrestres com Peru e Bolívia e acesso pela Rodovia Interoceânica, é encarada como uma vantagem logística para ampliar o alcance dos produtos do Acre a mercados sul-americanos e portos do Pacífico.
Fortalecimento do agronegócio com tecnologia e assistência técnica
O plano inclui medidas específicas para o campo, como incentivo à produção de arroz, feijão, milho, leite, além de cadeias promissoras para exportação, como café, cacau, açaí e banana. A recriação da Emater, para oferecer assistência técnica gratuita à agricultura familiar em todos os 22 municípios, é um dos pilares da proposta.
Além disso, a modernização do setor prevê o uso ampliado de drones, telemetria e estações meteorológicas para agricultura de precisão, fortalecendo a Cageacre e aprimorando o crédito, regularização fundiária, armazenagem e abertura de mercados.
Regularização fundiária e infraestrutura para impulsionar a produção
Na área fundiária, o programa propõe digitalizar processos, realizar mutirões para atender municípios com maior demanda, apoiar o georreferenciamento de pequenas propriedades e acelerar a análise do Cadastro Ambiental Rural (CAR). Para solucionar conflitos, será criada uma Câmara Permanente de Conciliação de Conflitos Fundiários.
A infraestrutura, diretamente ligada à produção, receberá atenção especial com manutenção constante das estradas estaduais e conservação dos ramais em parceria com as prefeituras. A cobrança por intervenções definitivas nas BRs 364 e 317 junto ao governo federal também faz parte da agenda.
Integração internacional e hub logístico no Acre
O plano vislumbra uma integração que ultrapassa as fronteiras brasileiras, destacando o Corredor Bioceânico e a Rota do Pacífico como estratégicos para o estado. A conexão com Pucallpa, no Peru, e o uso dos portos peruanos de Matarani, Ilo e Chancay são prioridades para facilitar o escoamento das exportações.
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Com isso, o Acre poderia se tornar um hub logístico transfronteiriço. Para isso, estão previstas a modernização das alfândegas de Epitaciolândia e Assis Brasil, a digitalização dos processos de importação e exportação, além da criação de um Porto Seco integrado à Zona de Processamento de Exportação em Senador Guiomard.
Incentivos à indústria e redução do custo Acre
Para atrair investimentos, o candidato propõe a criação da Agência INVEST ACRE e um Conselho Estadual de Desenvolvimento, que reunirá governo, federações e associações empresariais. Na indústria, o foco é reduzir o “Custo Acre”, especialmente nos aspectos logísticos, tributários e regulatórios, para aumentar a competitividade dos negócios locais.
Tecnologia e inovação como ferramentas transversais
A tecnologia permeia quase todas as áreas do plano. Entre as medidas estão a criação de uma central integrada de dados do governo, ampliação dos serviços públicos digitais e o uso de inteligência artificial para aprimorar saúde, segurança e manutenção de estradas.
O projeto inclui ainda um Hub de Inovação estadual e programas de qualificação digital para preparar a força de trabalho para as demandas do futuro.
Segurança pública com foco tecnológico e cooperação nas fronteiras
O programa “Acre Mais Seguro” pretende ampliar o videomonitoramento inteligente em todos os municípios, integrar bancos de dados das forças policiais e empregar reconhecimento facial e veicular, drones, sensores e inteligência artificial para combater o crime.
Nas fronteiras com Peru e Bolívia, a cooperação entre forças estaduais e federais será intensificada para combater tráfico de drogas, armas e organizações criminosas. Além disso, programas específicos como o “Escudo Rosa” e “Campo Seguro” vão atender mulheres vítimas de violência e comunidades rurais, respectivamente.
Saúde regionalizada e tecnologia para ampliar o atendimento
Na saúde, o plano aposta na regionalização para superar as distâncias do estado. Hospitais regionais de Tarauacá e Brasiléia serão fortalecidos, enquanto Xapuri contará com um novo hospital. Hemodiálise será levada para Sena Madureira e Tarauacá.
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O objetivo é garantir transporte aeromédico em 100% do estado, com a criação de uma Central de Regulação das Urgências, UPAs em Epitaciolândia e Tucumã, além de policlínicas regionais. Prontuário eletrônico integrado, telemedicina e inteligência artificial também estarão presentes para aprimorar diagnósticos e atendimento.
Educação com foco em inovação e experiência internacional
Uma das propostas mais inovadoras é o programa “Acre Vai à NASA e DISNEY!”, que prevê selecionar anualmente pelo menos 50 estudantes da rede estadual para experiências nos Estados Unidos relacionadas a ciência, tecnologia, engenharia e inovação.
O plano inclui concursos públicos, formação continuada de professores e a inserção de programação, robótica, inteligência artificial, ciência de dados e empreendedorismo digital no currículo escolar. O programa “Estudar Transforma” incentiva a frequência e o desempenho dos alunos, oferecendo notebooks para quem concluir o ensino médio e ingressar em universidade pública.
Infraestrutura e turismo para integrar e valorizar o estado
Para superar o isolamento de municípios com difícil acesso, como Santa Rosa do Purus, Jordão, Marechal Thaumaturgo e Porto Walter, o plano prevê melhorar a integração rodoviária. No turismo, a aposta está no potencial amazônico, com ecoturismo, etnoturismo, aventura e negócios, tendo o Vale do Juruá como área prioritária.
O plano também contempla melhorias em aeródromos, portos e atracadouros, e a formação de profissionais em idiomas, hotelaria, gastronomia e gestão turística.
Esporte e cultura como elementos de desenvolvimento regional
Para fortalecer o esporte e a cultura, o candidato propõe a construção de quadras, organização de campeonatos e formação de atletas, além da compra de ônibus rodoviários semi-leitos para transporte de equipes esportivas e culturais em Rio Branco, Juruá e Alto Acre.
O conjunto de propostas apresentado por Tião Bocalom reúne setores diversos sob uma mesma tese: a produção como alavanca para geração de emprego e renda, capaz de transformar a estrutura econômica do Acre entre 2027 e 2030.
