Agressão e condenação
O vereador Auciélio Lima da Silva, do partido PP, natural de Porto Walter, no Acre, foi condenado a mais de seis anos de prisão por lesão corporal e ameaças contra sua esposa. Os atos de violência ocorreram entre o fim de 2023 e início de 2024, com as agressões sendo registradas em vídeo pela própria vítima. Em declaração ao G1, o vereador negou as acusações e afirmou ser inocente, sugerindo que as denúncias teriam motivações políticas.
O vídeo, que circulou amplamente nas redes sociais, mostra Auciélio em um estado que aparenta embriaguez, xingando e puxando o cabelo da esposa enquanto se encontra dentro de um carro. “Tu foi uma pilantra e sem-vergonha comigo. E não adianta dizer que não foi, que tu foi. Olha pra mim”, diz, demonstrando agressividade nas imagens, que foram usadas como evidência no processo legal. A juíza Marilene Goulart Verissimo Zhu destacou que o vereador utilizou sua posição para intimidar e coagir a vítima, que, conforme registrado, sofreu danos físicos e emocionais significativos.
Defesa e contestação da condenação
Após a condenação, Auciélio se defendeu, afirmando que, apesar da decisão desfavorável, ela ainda pode ser revertida, uma vez que está sendo contestada. “Reafirmo que a minha inocência será devidamente comprovada”, declarou o vereador. Ele também argumentou que o casal permanece junto e que os vídeos foram feitos para um exame posterior de suas brigas, desestimando, assim, a seriedade das agressões.
Em comunicado, a Câmara Municipal de Porto Walter ressaltou que o caso ainda está em fase de recurso e que não há uma decisão final, reafirmando o princípio da presunção de inocência. A instituição afirmou que está aguardando os desdobramentos legais do processo, sem tomar nenhuma postura definitiva até que a situação seja completamente esclarecida.
Implicações legais e resposta da Justiça
A Justiça determinou uma pena de seis anos, dez meses e oito dias de reclusão em regime inicialmente fechado. O advogado do vereador recorreu, alegando que certas evidências foram desconsideradas durante o julgamento e solicitou que ele pudesse cumprir a pena em liberdade, pedido que foi negado. Durante a investigação, Auciélio foi o vereador mais votado nas eleições de 2024, com 600 votos, o que representa 9% do total na cidade.
A investigação teve início em maio de 2024, após uma denúncia anônima. A Polícia Civil obteve três vídeos que revelam as agressões, que ocorreram em um veículo e foram amplamente compartilhados online. Em dezembro do mesmo ano, a esposa de Auciélio foi atendida na Unidade Mista de Saúde de Porto Walter, onde relatou estar passando por uma crise de estresse devido ao conflito. Testemunhas na ocasião afirmaram que a mulher apresentava sinais de violência.
Exame médico e indiciamento
O médico que avaliou a vítima suspeitou de um possível Trauma Crânio Encefálico (TCE) e decidiu mantê-la sob observação por seis horas. Em um primeiro momento, a mulher negou as agressões e alegou ter ficado mal durante um passeio em família. No entanto, as evidências obtidas mais tarde levaram à denúncia contra Auciélio por violência doméstica, aceita pela Justiça em fevereiro de 2025. O julgamento ocorreu meses depois, em janeiro de 2026, com a juíza afirmando que as provas eram suficientes para configurar o crime de lesão corporal.
Observações finais sobre a situação
O caso de Auciélio Lima da Silva reflete um cenário complexo de violência doméstica que ainda gera muitas discussões e repercussões na sociedade acreana. A presença de vídeos e testemunhos, aliados à defesa vigorosa do vereador, suscita um debate sobre a presunção de inocência e a necessidade de um julgamento justo. A Câmara de Vereadores, em sua nota, reforçou que a perda do mandato só poderá ocorrer após o esgotamento dos recursos legais disponíveis, o que manterá Auciélio em seu cargo por enquanto. Enquanto isso, a sociedade aguarda os próximos passos do processo.
