Obra Resgata a Trajetória do Taekwondo
O atleta e jornalista Enilson Amorim lançou um livro que narra a história do taekwondo no Acre. O autor revela que a ideia do livro nasceu de um pedido do mestre Juca, que buscava esclarecer a verdadeira origem da prática no estado. Juca estava preocupado com a disseminação de informações incorretas, que atribuíram a introdução do taekwondo a outra pessoa.
“Ele me procurou e expressou sua insatisfação, pois alguns grupos estavam espalhando notícias falsas sobre quem realmente trouxe o taekwondo para o Acre. Juca pediu que eu escrevesse um livro sobre sua história e a do taekwondo”, recorda Enilson Amorim.
A produção do livro envolveu diversos encontros e entrevistas que ocorreram ao longo de três meses. Infelizmente, a conclusão da obra não pôde ser realizada com o mestre presente, já que Juca faleceu em agosto de 2021, aos 62 anos, após complicações relacionadas à Covid-19. Ele havia sido internado em UTI e, em sua última entrevista com Enilson, havia uma forte expectativa em torno do lançamento da obra.
“Após sua morte, a preocupação aumentou, uma vez que era um pedido dele. Eu fui aluno de Juca em 1989, quando ele chegou ao Acre. Isso me motivou a realizar uma pesquisa minuciosa, buscando documentos e matérias jornalísticas, e encontrei informações fascinantes, incluindo o papel de mulheres importantes na história do taekwondo no estado”, destaca Enilson.
Compromisso Social e Histórico
O jornalista expressou sua satisfação em poder relatar a história do taekwondo através do livro, considerando essa tarefa um compromisso social e histórico com a comunidade acreana.
“Foi muito gratificante assumir essa responsabilidade. Considero que este livro é uma forma de honrar o legado de Juca e também de prestar tributo aos praticantes do taekwondo no Acre”, afirma Enilson. “Além de ser uma arte marcial que promove a saúde, o taekwondo tem um impacto significativo na formação do caráter e no equilíbrio mental dos praticantes. Muitas crianças que se envolveram com essa modalidade, como eu, encontraram um novo caminho na vida”, completou.
Ele lembrou de sua própria história, relatando que ingressou no primeiro projeto social do grão-mestre José Carlos Gomes Guimarães em 1989. “Cresci na periferia de Rio Branco, e o taekwondo foi crucial para a minha transformação”, revelou.
Uma das histórias mais marcantes do livro é a de Carminda, a primeira mulher praticante de taekwondo no Acre. De acordo com Enilson, devido à escassez de mulheres praticantes, Juca teve que colocá-la para lutar contra homens. “Carminda se destacou e se tornou uma atleta extraordinária, conquistando diversas competições nos anos 90. Eu sempre precisava suar a camisa para não perder para ela”, contou, referindo-se ao seu respeito pela atleta que foi conhecida como ‘A Dama de Ferro’.
“Essas histórias são vitais para entender a evolução do taekwondo no Acre e o impacto que essa arte marcial pode ter na vida das pessoas”, conclui Enilson Amorim, reafirmando o valor da obra e seu papel na memória esportiva do estado.
