Uma Jornada de Superação e Inspiração
A trajetória de Susie Matos no mundo do taekwondo começou em 1992, quando ingressou em um projeto social de uma academia em Rio Branco, capital do Acre. Apenas cinco anos depois, ela conquistou a graduação de faixa preta, tornando-se um ícone para as mulheres no esporte. Com um olhar nostálgico, Susie relembra seus primeiros passos: ‘Me espelhava muito nos filmes e, geralmente, não existiam mulheres nos filmes. Então, eu dizia: eu vou ser uma faixa preta, vou ser uma mulher faixa preta’.
Na época, Susie enfrentou desafios significativos, como o preconceito tanto dentro quanto fora da academia. ‘A primeira mulher a treinar taekwondo foi a professora Carminda, que também se tornou faixa preta. Ela nos incentivou imensamente, e outras mulheres começaram a se juntar a nós. Foi um tabu quebrado e isso foi extremamente gratificante’, destaca a lutadora.
Um Longo Intervalo e o Retorno ao Esporte
Após 26 anos afastada, devido a compromissos profissionais e familiares, Susie viu uma oportunidade de retornar ao taekwondo através da inspiração que sua filha, Emilly Matos, trouxe para sua vida. ‘Descobri que minha mãe era faixa preta em uma arte marcial e isso me motivou. Quando soube que faria uma aula experimental, hesitei, mas percebi que era a minha chamada’, explica Emilly, que também se sonha em um dia se tornar faixa preta.
Com a volta de Susie às artes marciais, a relação mãe e filha se fortalece e se entrelaça em uma nova jornada. ‘O taekwondo é mais do que um esporte; é uma ferramenta de empoderamento. Hoje, as mulheres têm mais acesso e a prática é fundamental para defesa pessoal, especialmente em tempos em que a violência contra a mulher é alarmante’, enfatiza Susie Matos.
Empoderamento Feminino Através do Taekwondo
Emilly, por sua vez, compartilha como a influência da mãe moldou sua visão sobre a prática. ‘Tudo que ela me ensinou eu vou levar para a vida. Quero agradecer a ela por estar ao meu lado em cada passo. Ela sempre me incentiva, seja em lutas ou estudos’, diz a jovem atleta. Emilly tem o sonho de continuar a tradição familiar, buscando não apenas a graduação de faixa preta, mas também almejando se tornar mestre em taekwondo.
‘Estou determinada a ajudar a escrever uma nova história no taekwondo junto com minha mãe. Tenho muitos sonhos e vou lutar por eles’, conclui Emilly Matos, revelando a força que a passagem de bastão entre gerações pode representar.
