O Declínio do Setor Madeireiro no Acre
Nos últimos cinco anos, o setor de madeira tropical do Acre, que havia apresentado um crescimento notável entre 2020 e 2022, agora enfrenta uma clara retração. O aumento da volatilidade e a queda acentuada no volume e na participação das exportações refletem uma mudança significativa na economia local. Enquanto o Brasil se mantém estável no mercado internacional, a trajetória do Acre levanta questões sobre se essa diminuição é um ajuste temporário ou se representa uma transformação estrutural em sua inserção no comércio exterior.
Impacto nos Números das Exportações
Os dados mostram um claro declínio no papel da madeira tropical nas exportações do Acre. Em 2020, o estado alcançou o valor de US$ 13,1 milhões, com uma participação de 38,7% no total das exportações. Essa tendência se manteve em 2021 e 2022, quando o setor atingiu seu auge com US$ 17,4 milhões, o que corresponde a 32,1% de participação. Entretanto, a partir de 2023, as exportações caíram drasticamente para US$ 5,6 milhões, com uma leve recuperação em 2024, resultando em US$ 6,7 milhões, mas voltando a recuar em 2025, quando registrou apenas US$ 5,1 milhões.
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Essa queda acentuou a participação da madeira na pauta exportadora do Acre, que despencou para 5,2%. O primeiro trimestre de 2026 reforçou essa tendência preocupante, com exportações de apenas US$ 496 mil, comparado a mais de US$ 3,7 milhões durante o mesmo período de 2020 a 2022. Caso essa tendência persista, a madeira poderá se tornar um segmento secundário na pauta externa do estado.
Fatores Contribuintes para a Recessão
Dentre as razões para essa desaceleração, destacam-se as mudanças no mercado internacional, o aumento da concorrência, as restrições ambientais e a reestruturação da pauta exportadora do Acre, que hoje prioriza cadeias como carnes, soja e castanha. Essa reconfiguração da economia local é um sinal de que o Acre precisa diversificar sua produção e se adaptar às novas demandas do mercado.
O Panorama Nacional: Brasil em Ascensão
Em contraste com o Acre, o Brasil tem mostrado um desempenho distinto nas exportações de madeira tropical. Entre 2010 e 2022, as exportações brasileiras praticamente dobraram, saltando de US$ 1,06 bilhão para US$ 2,49 bilhões. Após esse pico, houve uma estabilização em níveis consideráveis: US$ 1,84 bilhão em 2023, US$ 1,82 bilhão em 2024 e US$ 1,65 bilhão em 2025. Esse desempenho reforça a ideia de que o Brasil se mantém relevante no mercado internacional, mesmo diante de um ambiente econômico desafiador.
Desafios e Oportunidades para o Futuro
O futuro do setor madeireiro no Acre apresenta tanto desafios quanto oportunidades. A demanda internacional por produtos de maior valor agregado, como madeira processada e engenheirada, continua a ser significativa. No entanto, as exigências por certificação e conformidade ambiental estão se tornando cada vez mais rigorosas. O adiamento da aplicação de regulamentos ambientais pela União Europeia, previsto para 2026 e 2027, reforça a necessidade de adaptação dos produtores locais às novas realidades do mercado.
Com dados recentes do Simex/Imazon indicando uma queda de 49% na exploração madeireira entre 2023 e 2024, o Acre precisa urgentemente de um reposicionamento estratégico. A competitividade do estado no setor não deve se basear simplesmente no volume, mas na capacidade de atender às exigências de legalidade, rastreabilidade e agregação de valor. Investimentos em manejo sustentável e certificações são essenciais para que o Acre recupere sua posição no mercado.
Sem essas mudanças, a tendência é de continuidade na perda de espaço, enquanto a pauta exportadora do estado se consolida em torno de segmentos mais dinâmicos. O Brasil pode manter sua competitividade; portanto, o Acre precisará se concentrar na qualidade da sua produção e na credibilidade de sua origem para voltar a ser relevante no comércio exterior.
