População expõe desafios do sistema de saúde no Acre
A equipe do ac24horas saiu às ruas de Rio Branco na última sexta-feira (11) para ouvir diretamente da população os principais problemas enfrentados na saúde pública do Acre. Entre as queixas mais frequentes estão a demora para conseguir consultas e exames, as longas filas de espera, a escassez de médicos e leitos hospitalares, além do tempo excessivo de atendimento nas unidades de saúde.
Demora no acesso a especialistas preocupa moradores
Maria do Socorro destacou a necessidade de agilizar o agendamento de consultas com médicos especialistas. Ela relatou ter aguardado quase dois anos para ser atendida por um ortopedista. “Eu gostaria que o atendimento fosse mais rápido, especialmente nas consultas e nas ligações. Esperei quase dois anos para conseguir uma consulta com o ortopedista, quase não consegui. O atendimento precisa melhorar”, afirmou.
Outra moradora, a empreendedora Diones Alves, também apontou a demora no atendimento e mencionou dificuldades para contato com o serviço de Telessaúde. Apesar de reconhecer que a ferramenta representa um avanço, ela relatou enfrentar longas esperas por respostas. “Ficamos quatro, cinco meses esperando retorno. A Telessaúde é uma melhoria, com vários números para contato, mas muitas vezes não atendem”, explicou.
Filas nas UPAs e atraso na regulação ampliam queixas
O tempo de espera nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) também foi motivo de reclamação. Diones Marques, trabalhadora do lar, contou que pacientes chegam nas UPAs ainda de madrugada e permanecem por horas aguardando atendimento. “Tem gente que vai para a UPA às 5 horas da manhã e só sai às 10h30 ou 11 horas. Isso precisa mudar”, comentou.
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A empreendedora Ana Mara destacou a necessidade de mudanças no sistema de regulação e na lista de espera para consultas especializadas. Ela chamou atenção para a situação delicada de famílias com pessoas que têm Transtorno do Espectro Autista (TEA). “Eu eliminaria a lista de espera, atenderia todos ao mesmo tempo. Para mães de filhos autistas, a espera pode passar de dois a quatro anos. Quem fica na lista é esquecido”, disse.
Falta de leitos é uma realidade preocupante
A escassez de leitos em hospitais e UPAs foi enfatizada por Zenaide Maria. “Falta muito leito nos hospitais, principalmente no Pronto-Socorro, onde já estive internada, e nas UPAs também”, relatou.
Alícia Naiome sugeriu ampliar a estrutura hospitalar, apontando o Segundo Distrito de Rio Branco como área que necessita de investimentos. “Minha sugestão é aumentar os hospitais na região do Segundo Distrito”, afirmou.
Aspectos positivos do sistema público de saúde em Rio Branco
Nem todas as opiniões foram críticas. Ricardo Coelho, que esteve recentemente no Rio de Janeiro, comparou a estrutura local com a da capital carioca. Ele destacou a facilidade de acesso a medicamentos e o funcionamento das farmácias nas unidades de saúde de Rio Branco como pontos positivos. “No Rio, para conseguir remédio nas farmácias do SUS é difícil, principalmente na Baixada. Aqui, cada posto de saúde tem farmácia abastecida, o que facilita muito”, comentou.
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Ele também ressaltou o trabalho da Fundação Hospitalar, especialmente em relação aos tratamentos e exames. “A Fundação Hospitalar ajuda bastante com exames e tratamentos. Aqui ainda é melhor”, avaliou.
Falta de médicos amplia a preocupação dos usuários
Claudia Larissa destacou a demora no atendimento e a insuficiência de profissionais na rede pública como desafios importantes. “Eu mudaria a demora no atendimento, que é muito grande. Muitas vezes crianças doentes ficam esperando muito tempo para serem atendidas”, disse.
Ela ainda apontou que a falta de médicos é um problema constante nas unidades públicas, observando que muitos profissionais trabalham em horários restritos. “Muita gente reclama da falta de médicos nas redes públicas, porque não tem. Eles só trabalham quando querem”, acrescentou.
