Diálogo Franco entre Brasil e Índia
Nesta quinta-feira (22), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, estabeleceram um diálogo de aproximadamente 45 minutos por telefone, onde discutiram a possível ampliação da cooperação bilateral em setores cruciais como defesa, comércio, saúde, energia e ciência e tecnologia. Além disso, abordaram a exploração de minerais críticos e terras raras, assim como a produção de biocombustíveis, temas que prometem ser aprofundados durante a visita oficial de Lula à Índia, programada para ocorrer entre os dias 19 e 21 de fevereiro. Essa viagem, organizada pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), evidencia o empenho do Brasil em fortalecer as relações comerciais com a Índia e, assim, impulsionar a venda de produtos brasileiros e atrair mais investimentos.
O encontro telefônico também coincide com as negociações para a ampliação do acordo entre Mercosul e Índia. Jorge Viana, presidente da ApexBrasil, enfatizou a importância da missão que Lula tem pela frente. Durante uma coletiva de imprensa, ele comentou sobre os avanços na implementação do acordo de parceria comercial que representantes do Mercosul e da União Europeia assinaram recentemente, no último sábado (17). Para Viana, a Índia representa uma das maiores oportunidades de crescimento nas exportações brasileiras.
“Se me perguntarem onde que acho que está o maior potencial de crescimento do comércio exterior do Brasil, eu responderei sem medo de errar: Índia”, afirmou Viana, sublinhando o impacto que um comércio mais robusto poderia ter na economia brasileira.
Perspectivas Comerciais Promissoras
Em 2025, as importações brasileiras de produtos indianos alcançaram quase US$ 8,5 bilhões, enquanto as exportações brasileiras para a Índia totalizaram US$ 7 bilhões, com foco em setores como petróleo, que representa 30% das exportações, açúcar e melaço (15%), gordura e óleos vegetais (14%) e minério de ferro (6%).
Viana ressaltou a necessidade de diversificar essa pauta comercial, adicionando à lista de exportações brasileiras produtos como óleo combustível, defensivos agrícolas, medicamentos e acessórios automobilísticos. “Queremos diversificar isto”, disse ele, refletindo as possibilidades que a parceria pode oferecer.
Além disso, Lula tem o objetivo de fortalecer a participação da Embrapa e da agricultura familiar brasileira no desenvolvimento do setor agrícola indiano, visando ajudar milhões de pequenos produtores rurais a aumentar sua produtividade. Essa iniciativa não apenas reforça a colaboração entre os dois países, mas também promove uma troca de experiências que pode trazer benefícios mútuos a longo prazo.
