Hackathon Global para Inovação em Saúde
Em busca de soluções inovadoras para os desafios enfrentados pelos sistemas de saúde em todo o mundo, cerca de 12 mil pessoas, conectadas através de 40 hubs de inovação em 30 países, participaram do HSIL Hackathon 2026, intitulado “Building High-Value Health Systems: Leveraging AI”. O evento ocorreu nos dias 10 e 11 deste mês e teve como foco o desenvolvimento de tecnologias baseadas em inteligência artificial (IA) voltadas para a saúde pública. Promovido pelo Health Systems Innovation Lab da Universidade de Harvard, o Hub Brasília organizou o evento em colaboração com o Ministério da Saúde.
No Brasil, a iniciativa contou com a participação de três hubs: Brasília (DF), Natal (RN) e São Paulo (SP). Em Brasília, 85 participantes de 10 estados, incluindo Bahia, Pará, Santa Catarina, Tocantins, Minas Gerais, São Paulo, Alagoas, Roraima, Ceará e Amazonas, se organizaram em 16 equipes. As propostas se concentraram em três eixos principais: Fragmentação do Cuidado, Letramento em Saúde e Barreiras de Comunicação.
Desafios e Soluções para o Sistema de Saúde
Os participantes foram desafiados a apresentar soluções para questões enfatizadas, como a crescente demanda por serviços de saúde, o envelhecimento da população, desigualdade no acesso e o aumento de dados em saúde. Com o suporte de mentores, as propostas foram adaptadas para atender às necessidades dos gestores do SUS (Sistema Único de Saúde) e equipes que atuam desde a Atenção Primária até a Especializada. As soluções também levaram em consideração as diferentes maturidades tecnológicas das esferas federal, estadual e municipal, além das diversidades culturais das regiões do país.
O secretário-executivo do Ministério da Saúde, Adriano Massuda, destacou que o SUS está em um processo de transformação digital, impulsionado por iniciativas como este hackathon. “O SUS, por atender a um país tão diverso, é uma potência de inovação que se alimenta da experiência de profissionais na linha de frente. O desafio do Governo do Brasil é organizar essas informações e fortalecer essa capacidade. O hackathon é uma imersão global em ideias que são fundamentais para esse processo”, afirmou.
A secretária de Informação e Saúde Digital (SEIDIGI), Ana Estela Haddad, ressaltou a importância da colaboração entre diferentes profissionais para a inovação. “A competição é um motivador, mas o cerne está no processo. Equipes com visões variadas podem criar soluções mais adequadas à realidade”, ressaltou. Ela também comentou sobre como os projetos evidenciaram a experiência prática dos participantes com os desafios do SUS, oferecendo insights valiosos para o futuro.
O que é um Hackathon?
O hackathon é uma maratona colaborativa onde os participantes se reúnem, geralmente por um ou dois dias, para desenvolver soluções inovadoras. Nesta edição, o foco foi criar softwares que pudessem mitigar os gargalos nos sistemas de saúde, unindo a expertise de profissionais da saúde e tecnologia. As equipes analisaram problemas, desenvolveram soluções com IA, receberam mentorias e apresentaram suas propostas a uma banca avaliadora, que selecionou a equipe mais promissora para avançar à próxima fase.
A banca foi composta por especialistas renomados, incluindo Luciana Maciel de Almeida Lopes, diretora executiva de Atenção Integral à Saúde na Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS, e Dr. Marcelo Ramos Pinto, cirurgião dentista especialista em saúde digital. A equipe vencedora avança para o Venture Incubation Program, que inclui dois bootcamps dedicados ao aprimoramento dos projetos e pitches. Após essa fase, as 20 melhores iniciativas recebem mentorias aprofundadas, culminando em um Demo Day Global, onde os projetos são apresentados a investidores.
Projeto Vencedor do Hub Brasília
A equipe que se destacou em Brasília apresentou o projeto ONCONAV Brasil, uma proposta de IA aberta (open source) integrada ao Meu SUS Digital. O foco do projeto é reduzir mortes evitáveis enfrentando a fragmentação do cuidado através de navegação inteligente, monitoramento de prazos e integração de dados. Esta solução inclui funcionalidades como a navegação para pacientes oncológicos, agendamentos automatizados e monitoramento da Lei dos 60 dias.
Formada por uma equipe multidisciplinar, a proposta incluiu membros com experiências diversas: a estudante de administração Clarysse Rodrigues Dias, o médico sanitarista Denis Satoshi Komoda, a tecnóloga em Sistemas Biomédicos Joana Ferreira da Silva e a sanitarista Kryslainne Millena Oliveira de Jesus, entre outros. Kryslainne afirmou que a vitória representa uma oportunidade significativa para o Brasil: “Estamos animadas com o potencial de expansão da proposta, que busca solucionar a fragmentação do cuidado no sistema de saúde”.
