Estabilidade Salarial e Desafios para Mulheres no Acre
O 5º Relatório de Transparência Salarial revelou que o Acre se destaca como o estado com a menor desigualdade salarial do Brasil. Com uma notável paridade entre os salários de homens e mulheres, o Acre ocupa a primeira posição no ranking nacional, onde as mulheres recebem, em média, 91,9% do que os homens ganham. O estudo, que analisou dados até dezembro de 2025, registrou um total de 120 estabelecimentos com 100 ou mais empregados no estado, responsáveis por 39,4 mil vínculos formais. Desse total, 17,5 mil postos foram ocupados por mulheres, sendo 13,3 mil por mulheres negras (76%) e 4,2 mil por mulheres não negras (24%).
Os dados revelam que, entre os homens, cerca de 21,8 mil trabalhadores estavam empregados, dos quais 16,8 mil eram negros (77%) e 5 mil não negros (22,9%). A remuneração média das mulheres em dezembro de 2025 foi de R$ 2.356,89, enquanto os homens receberam R$ 2.565,24. Para as mulheres negras, o rendimento médio foi de R$ 2.298,54, enquanto que para as não negras, foi de R$ 2.565,32. Já entre os homens, a média alcançou R$ 2.499,67 para os negros e R$ 2.821,54 para os não negros.
Comparativo com Outros Estados e Políticas de Inclusão
Os estados que seguem o Acre em termos de menor desigualdade salarial são Piauí (92,1%), Distrito Federal (91,2%), Ceará (90,5%), Pernambuco (89,3%), Alagoas (88,8%) e Amapá (86,9%). Por outro lado, os estados que enfrentam a maior desigualdade são Espírito Santo (70,7%), Rio de Janeiro (71,2%) e Paraná (71,3%).
O Painel do Relatório de Transparência Salarial também fornece uma visão atualizada referente ao primeiro semestre de 2026 sobre o percentual de estabelecimentos que implementam políticas de incentivo à contratação de mulheres nas diferentes unidades federativas. No Acre, 19% dos estabelecimentos com 100 ou mais empregados possuem iniciativas voltadas para aumentar a presença feminina no mercado de trabalho.
Entre essas políticas, 2,5% visam especificamente a contratação de mulheres vítimas de violência doméstica, 15,2% são voltadas à inclusão de mulheres LGBTQIAP+, 8,9% têm iniciativas para mulheres com deficiência, e 16,5% implementam ações de incentivo à contratação de mulheres negras.
A Luta pela Autonomia e Equidade Salarial
Simone Santiago, secretária de Estado da Mulher, passou a enfatizar a importância de garantir autonomia financeira às mulheres, destacando um dos principais desafios que sua pasta enfrenta. “Estamos buscando parcerias e criando frentes de atuação voltadas ao empoderamento econômico. Quando a mulher conquista autonomia financeira, ela fortalece outras dimensões da sua autonomia — emocional, social e até mesmo a liberdade de expressar sua opinião”, afirmou.
A governadora Mailza Assis também ressaltou a relevância de uma luta contínua pela equidade salarial. “Reconhecer a desigualdade é o primeiro passo, mas é fundamental enfrentá-la com políticas públicas que promovam a autonomia das mulheres e garantam que elas conquistem espaços de liderança”, declarou. Segundo a governadora, o governo, por meio da Secretaria da Mulher e em colaboração com outras pastas, tem trabalhado arduamente para fortalecer a inclusão e ampliar programas que garantam direitos às mulheres.
“Essas iniciativas vão desde a promoção da igualdade no mercado de trabalho até a criação de oportunidades para que mulheres ocupem cargos de decisão, contribuindo com sua visão e competência para o desenvolvimento da sociedade”, completou ela. Mailza também defendeu que promover a equidade salarial é uma questão não apenas de justiça, mas de progresso. “Investir na mulher é investir em toda a comunidade, garantindo que talentos sejam reconhecidos e vozes ouvidas, construindo um futuro com diversidade e respeito”, concluiu.
