Poetas que Enfrentaram o exílio Compartilham Suas Histórias
Egana Djabbarova, natural de Ecaterimburgo, na Rússia, traz nas memórias de sua infância as marcas da Revolução Russa, que em 1918 resultou na trágica morte do czar Nicolau II e de sua família. Nascida de pais azerbaijanos em busca de melhores oportunidades, Egana hoje reside em Hamburgo, na Alemanha. Sua experiência de vida é um reflexo de sua busca por pertencimento, uma luta que se intensifica nas perguntas que sempre ouve: “De onde você vem?”.
Stefanie-Lahya Aukongo, cuja mãe sobreviveu ao Massacre de Cassinga, vive em Berlim e também enfrenta questões de identidade, resultado de um passado doloroso e de um presente de constantes questionamentos. Paula Abramo, por sua vez, vive na Cidade do México, herdeira de uma história marcada por exílios. Seu pai fugiu do regime ditatorial brasileiro, e seu avô havia encontrado refúgio na Bolívia durante a repressão de Getúlio Vargas aos comunistas na década de 1930. A família Abramo, notável no Brasil, inclui artistas e jornalistas, mas também carrega o peso do exílio em suas veias.
As trajetórias de Egana, Lahya e Paula se encontram na poesia. As três poetas estarão presentes no Festival Poesia no Centro, que acontecerá no Teatro Cultura Artística, em São Paulo, entre os dias 15 e 17 de maio, com ingressos gratuitos disponíveis na plataforma Sympla. Em suas obras, elas refletem sobre as experiências de deslocamento que moldaram suas histórias familiares, a construção de uma língua que se entrelaça com os diversos idiomas que as cercam, e a constante meditação sobre o exílio, que se torna uma condição perene para os poetas — migrantes ou não.
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A Poesia e o Exílio: Uma Relação Profunda
O exílio é uma temática que, assim como o amor, sempre teve grande espaço na poesia. A história revela que até Safo, a conhecida poeta da Ilha de Lesbos, teria vivido um período de exílio na Sicília. Dante Alighieri, um dos maiores poetas da literatura, escreveu sua célebre “A divina comédia” no século XIV como resposta ao exílio que sofreu de Florença, um ato que o levou a criticar o papa Bonifácio VIII, colocando-o no oitavo círculo do inferno de sua obra.
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No Brasil, Gonçalves Dias, um dos mais proeminentes poetas do século XIX, expressou sua saudade em versos que lamentavam a distância de sua terra natal, destacando a diferença entre as aves que cantavam em Portugal e as que alegravam sua cidade. Essas experiências mostram como as turbulências políticas do último século geraram um número significativo de poetas expatriados. Nomes como o palestino Mahmoud Darwish, o russo Joseph Brodsky e o brasileiro Ferreira Gullar, que escreveu seu emblemático “Poema sujo” durante o exílio na Argentina, são provas desse fenômeno.
A poesia, assim, torna-se não apenas um meio de expressão, mas uma forma de resistência e revelação das dores e alegrias causadas pelo exílio. No Festival Poesia no Centro, Egana, Lahya e Paula representam essas vozes que, apesar das distâncias físicas e emocionais, se conectam através da arte. O evento promete ser uma celebração das experiências humanas, da luta por identidade e da busca por um lugar no mundo — temas universais que ressoam em cada verso recitado e em cada história contada.
