Operação da Polícia Federal mira ex-secretário e esquema de corrupção na Educação do Acre
O ex-secretário de Estado de Educação do Acre, Aberson Carvalho, está entre os investigados na Operação Death Note, deflagrada nesta quinta-feira, 17, pela Polícia Federal com o apoio da Controladoria-Geral da União (CGU). Conforme apurado pelo portal A GAZETA, agentes cumpriram mandado de busca e apreensão na residência do ex-gestor, onde apreenderam seu celular.
A ação procura desvendar um suposto esquema de desvio de recursos públicos federais destinados à Secretaria de Estado de Educação do Acre. O dinheiro investigado teria origem no Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). As apurações indicam suspeitas de direcionamento de licitações, desvios financeiros e movimentações que beneficiariam terceiros, além de ocultação da origem e destino do dinheiro.
Mandados e sequestro de bens em várias cidades
Ao todo, a Operação Death Note executa 27 mandados de busca e apreensão autorizados pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1). As ações ocorrem em seis cidades: Rio Branco e Cruzeiro do Sul, no Acre; Manaus (AM); São Paulo (SP); Barueri (SP); e Ribeirão Preto (SP). Além disso, o Judiciário determinou o sequestro de bens ligados aos investigados, que supostamente foram adquiridos com recursos desviados.
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As investigações apontam para uma possível articulação entre empresários, agentes públicos e terceiros envolvidos no esquema. Os suspeitos podem responder por crimes como fraude em licitação, peculato, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Histórico: Aberson já foi alvo de outra operação da PF
Em julho deste ano, Aberson Carvalho também esteve no centro da Operação Talha Real, que investigou a malversação de recursos federais destinados à Secretaria de Educação do Acre via Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb). Na ocasião, a PF cumpriu 21 mandados de busca e apreensão em cidades acreanas como Rio Branco, Epitaciolândia e Senador Guiomard, envolvendo contratos que somavam mais de R$ 51 milhões.
O TRF1 determinou bloqueio de bens móveis e imóveis dos investigados, além da suspensão temporária das atividades de seis empresas contratadas pela Secretaria de Educação.
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Posição do ex-secretário e atual situação
Aberson Carvalho foi exonerado do cargo de secretário em 2 de abril deste ano, a pedido, pelo então governador Gladson Camelí, e nomeado para um cargo em comissão na mesma secretaria na mesma data.
Durante a Operação Talha Real, a defesa de Aberson, representada pelo advogado Willian Pollis Mantovani, afirmou que o ex-gestor recebeu os agentes federais com “absoluta tranquilidade” e colaborou com as buscas. A defesa destacou que a investigação estava em fase preliminar, sem denúncia formal ou decisão judicial contra o ex-secretário, e ressaltou o segredo de justiça para limitar informações públicas.
Até a última atualização desta matéria, a reportagem não conseguiu contato com a defesa de Aberson para comentar a Operação Death Note. A Secretaria de Estado de Educação e Cultura (SEE) também foi procurada para se posicionar sobre a operação, mas não respondeu.
