Justiça do Acre Intervém em Show Caro
No último mês, um show do cantor Evoney Fernandes, que custaria R$ 400 mil, teve sua apresentação suspensa pela Justiça do Acre. A decisão liminar foi proferida em resposta a uma ação do Ministério Público do Acre (MP-AC), que levantou questões sobre a viabilidade desse gasto em um município com carências sociais significativas, como Jordão, uma cidade isolada sem conexão terrestre com o restante do estado.
A Promotoria de Justiça Cível de Tarauacá e Jordão, responsável pela ação, apontou indícios de sobrepreços e irregularidades na pesquisa de mercado que fundamentou o contrato. A procura pelo retorno do prefeito Naudo Ribeiro (PP) pela equipe do g1 ainda não foi bem-sucedida, e cabe destacar que a suspensão é uma medida provisória e não uma decisão definitiva.
A apresentação estava prevista para ocorrer na praça principal da cidade no dia 28 de abril, celebrando os 34 anos de fundação de Jordão. Segundo dados do Censo 2023, o município conta com aproximadamente 9,2 mil habitantes, o que levanta dúvidas sobre a adequação do investimento nesse tipo de evento. O MP argumenta que o contrato fere princípios de razoabilidade e proporcionalidade, considerando as dificuldades estruturais enfrentadas pela cidade nas áreas de saúde, educação e infraestrutura.
De acordo com o MP, “nesse contexto, o investimento de elevado valor em um evento festivo foi considerado, em análise preliminar, incompatível com as prioridades da administração pública”. A decisão gerou polêmica, já que a prefeitura havia anunciado o evento apenas quatro dias antes da suspensão.
A Polêmica em Torno de Evoney Fernandes
Evoney Fernandes, que é cantor, humorista e influenciador digital natural do Tocantins, tem conquistado um público considerável nas redes sociais, com mais de 10 milhões de seguidores. Sua presença em eventos no interior do Acre é frequente, mas não sem polêmicas. Recentemente, o artista se envolveu em uma controvérsia ao afirmar em um vídeo que não se casaria com enfermeiras devido a questões relacionadas à profissão, o que gerou indignação entre os profissionais da saúde.
Em 2022, uma situação semelhante ocorreu quando o MP solicitou a substituição de um show de Fernandes, avaliado em R$ 380 mil, por artistas locais na 12ª ExpoCapixaba em Capixaba. A recomendação visava respeitar as limitações orçamentárias do município e garantir que os recursos fossem direcionados para áreas essenciais, como saúde e educação.
O caso em Jordão ilustra um debate maior sobre o uso de verbas públicas em shows e eventos festivos em cidades pequenas, onde a necessidade de investimentos mais urgentes é evidente. O apoio à cultura e ao entretenimento é importante, mas a balança deve ser equilibrada com as necessidades da população.
Por ora, a situação continua evoluindo, e novas atualizações sobre a programação do aniversário de Jordão e a possível apelação da prefeitura à decisão da Justiça devem ser aguardadas. A sociedade local e o público em geral observam atentamente os desdobramentos deste episódio, que destaca a tensão entre entretenimento e responsabilidade fiscal na gestão pública.
