Desafios enfrentados por alunos em escola rural
A Secretaria de educação e Cultura do Acre (SEE-AC) emitiu uma nota esclarecendo que a escola em questão é uma extensão da sede principal, projetada para atender estudantes em áreas de difícil acesso. A pasta também mencionou que uma ordem de serviço foi emitida para realizar obras de manutenção no local. Durante a reportagem, moradores mostraram as dificuldades enfrentadas por crianças que precisam atravessar, descalças, uma estrutura de madeira para chegar à escola. Essas dificuldades incluem a precariedade das instalações, a ausência de merenda e a falta de um banheiro adequado.
A escola, única na comunidade, abriga aproximadamente 40 alunos e é atendida por apenas dois professores, que lidam com turmas compostas por estudantes de diferentes séries do ensino fundamental e ensino médio. De acordo com as informações, os alunos do oitavo e nono ano estão sem aulas devido à falta de profissionais qualificados.
Estrutura deteriorada e falta de recursos
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Imagens divulgadas pelos moradores da Comunidade Monte Cristo revelam que o espaço onde as crianças estudam está em condições alarmantes. As paredes da casa, que serve como escola, estão em ruínas e o chão, assim como as cadeiras, está em situação muito precária. “As condições são inaceitáveis. A mata invade o espaço, e a sala é tão pequena que não há como aprender de forma adequada”, desabafou Alcidiones da Silva, um representante da comunidade.
Além da deterioração das salas de aula, a água utilizada na cozinha improvisada para a merenda é armazenada em caixa d’água adaptada, enquanto o banheiro, que não oferece privacidade, é uma estrutura de madeira inserida no terreno da escola.
Alunos clamam por melhorias
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Em um depoimento impactante, a estudante Keilliane Pinheiro destacou que a falta de estrutura compromete as aulas: “Nos dias de chuva, não conseguimos estudar, pois a sala molha tudo. É uma situação desesperadora”, afirmou. A voz da comunidade é unânime em clamar por melhorias nos espaços educacionais, com muitos pedindo a reforma da escola para que as crianças tenham acesso a um ambiente de aprendizado digno.
Maria Serra, mãe de alunos, expressou seu desejo de que a escola receba melhorias significativas: “Meu sonho é que meu filho tenha uma educação de qualidade. As calçadas estão caindo, as paredes também. Seria maravilhoso contar com um gestor que se preocupasse em resolver essa situação”, disse.
Resposta do governo e projeto de melhorias
Em resposta às denúncias, a Secretaria de Estado de Educação e Cultura (SEE) do Acre explicou o funcionamento da Escola João Paulo III e seu Anexo VIII, localizado na comunidade Monte Cristo. A SEE destacou que as escolas rurais não se restringem a um único prédio, atuando como polos de ensino vinculados a ramificações nas comunidades.
Atualmente, a Escola João Paulo III conta com cerca de 337 alunos e 21 professores, que atendem tanto a sede quanto as extensões. A SEE esclareceu que as diferenças estruturais entre a sede e os anexos existem devido às peculiaridades das localidades de difícil acesso. O anexo foi autorizado para garantir a continuidade do ensino, evitando que os alunos fiquem fora da sala de aula. A SEE também revelou que a manutenção do espaço já foi iniciada e está sendo considerada a condição de navegação para o transporte dos materiais de construção necessários.
Como resultado das graves condições denunciadas, a comunidade aguarda ansiosamente pelas melhorias prometidas, na esperança de que a educação de suas crianças não seja mais comprometida.
