A História de Sete Municípios Acreanos
Nesta terça-feira, sete municípios do Acre celebram 34 anos de emancipação. Acrelândia, Bujari, Capixaba, Epitaciolândia, Jordão, Porto Acre e Santa Rosa do Purus foram oficialmente constituídos pela Lei Estadual nº 1.028, assinada em 28 de abril de 1992, durante a gestão do governador Edmundo Pinto de Almeida Neto.
Essas localidades surgiram a partir do desmembramento de cidades maiores e possuem suas origens fortemente conectadas ao ciclo da borracha e à formação de vilas em antigos seringais.
Acrelândia: Terra do Café
Acrelândia, conhecida como a “princesinha do Acre”, faz divisa com os estados do Amazonas e Rondônia, além da Bolívia. Seus limites foram estabelecidos pela Lei Estadual nº 1.060, de 9 de dezembro de 1992, após a separação dos municípios de Plácido de Castro e Senador Guiomard. A cidade é predominantemente habitada por famílias de agricultores que migraram, em sua maioria, do Sul do Brasil. Essa migração impulsionou o crescimento populacional e o desenvolvimento da economia local, que se destaca pela produção de café. A variedade mais cultivada é o café clonal, conhecido por sua alta produtividade. O primeiro prefeito de Acrelândia foi Sebastião Bocalom Rodrigues, que iniciou o processo de organização política na região.
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Bujari: Origens do Extrativismo Vegetal
Bujari, desmembrado de Rio Branco, tem raízes no extrativismo vegetal. O município surgiu de uma antiga colocação de seringueiras chamada “Bujari”, pertencente ao Seringal Empresa, fundado pelo cearense Neutel Maia em 28 de dezembro de 1882. Nos primórdios, o seringal abrigava apenas três famílias, que viviam do cultivo de borracha e de pequenas plantações para subsistência. Com o tempo, a localidade se desenvolveu, conservando seu vínculo com a história do ciclo da borracha no Acre.
Capixaba: Crescimento e Desenvolvimento Comunitário
Capixaba se originou do desmembramento de Rio Branco e Xapuri, e sua fundação está relacionada à crise dos seringais. O município nasceu em uma vila formada por ex-seringueiros no antigo Seringal Gavião, de propriedade de João Sombra. O desenvolvimento da localidade começou na década de 1960 com a construção de uma escola e uma igreja, que promoveram a organização da comunidade. Nos anos 1970, a chegada de migrantes, principalmente do Sul do país, fortaleceu a economia local, especialmente na pecuária. O nome “Capixaba” foi escolhido por votação popular, homenageando uma família do Espírito Santo que estabeleceu uma serraria na região.
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Epitaciolândia: Em Homenagem ao Ex-Presidente
O município de Epitaciolândia, que se originou do desmembramento de Brasiléia e Xapuri, recebeu esse nome em homenagem ao ex-presidente Epitácio Pessoa. Inicialmente um pequeno vilarejo, Epitaciolândia ganhou status de vila por volta de 1958, com a instalação de comércios, escolas e igrejas. Desde então, a localidade progrediu com a criação de instituições públicas e fortalecimento do comércio, culminando em sua emancipação após um plebiscito que consolidou a autonomia administrativa da cidade.
Jordão: Uma Comunidade Tradicional
O município de Jordão teve suas origens no antigo Seringal Duas Nações e se tornou conhecido como Vila Jordão em 1956. Sua emancipação ocorreu em 1992 após um plebiscito, com o apoio de autoridades locais e estaduais. O primeiro prefeito eleito foi Hilário de Holanda Melo. Jordão mantém características tradicionais, como o cultivo de hortaliças em quintais para consumo familiar e o uso de frutas nativas, como patoá, abacaba, açaí, banana e abacaxi, na alimentação local.
Porto Acre: Desenvolvimento Agrícola e Sustentabilidade
Porto Acre, também desmembrado de Rio Branco, tem suas raízes no ciclo da borracha e foi se desenvolvendo até conquistar sua emancipação política, estabelecendo sua própria organização administrativa. A economia local é fortemente ligada à agricultura de subsistência. Durante a estiagem, as áreas de praias formadas às margens dos rios são utilizadas para cultivar produtos como melancia, banana, mandioca e hortaliças, garantindo sustento para muitas famílias da região.
Santa Rosa do Purus: Biodiversidade e Cultura Local
Por fim, Santa Rosa do Purus, desmembrado de Manoel Urbano, está situado às margens do rio Purus e se estende até a fronteira entre Brasil e Peru. O município se destaca pela rica biodiversidade, abrigando uma grande variedade de fauna e flora, incluindo espécies ameaçadas de extinção como a onça-pintada, o jacaré-açu e a ararinha-azul.
