Desvios de Medicamentos e Materiais Hospitalares
A investigação da Polícia Civil do Acre revelou um esquema de desvio de medicamentos utilizados no tratamento de câncer e hemodiálise, incluindo gazes e luvas, que teriam sido retirados de forma ilegal da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), do Pronto-Socorro e de unidades de pronto atendimento em Rio Branco desde 2023. A polícia está averiguando se servidores públicos estão envolvidos no caso.
O delegado Igor Brito, responsável pelo inquérito, informou que até a última segunda-feira (13), não houve novas prisões relacionadas ao caso. Um idoso, preso anteriormente, foi libertado durante audiência de custódia e aguarda o desfecho das investigações em liberdade, usando tornozeleira eletrônica. “Já ouvimos várias pessoas, algumas delas suspeitas de receptação, mas ainda não foram presas,” detalhou o delegado.
Durante a primeira fase das investigações, a equipe também monitorou eletronicamente o hospital. Brito destacou que novas oitivas estão programadas para os envolvidos no caso. Os desvios nos últimos meses são estimados em cerca de R$ 10 milhões, segundo o delegado. “Identificamos mais pessoas ligadas ao caso, mas estamos mantendo tudo em segredo de justiça para não prejudicar a apuração,” acrescentou.
Medicamentos Apreendidos e Ações Policiais
Parte dos medicamentos desviados já apreendidos está sob custódia da Polícia Civil, enquanto outra quantia é armazenada em um cofre na Secretaria Estadual de Saúde (Sesacre). “Solicitei a restituição dos medicamentos e vamos proceder com a entrega desses insumos ao estado. Durante a apuração, os itens foram mantidos sob os cuidados da Polícia Civil. A quantidade era tão grande que quase não houve espaço disponível para armazenamento,” afirmou Brito.
No dia 14 de janeiro, uma ação da Polícia Civil resultou na descoberta de um depósito clandestino que estava sendo usado para guardar materiais possivelmente desviados. A operação ocorreu na Rua Eduardo Asmar, na Gameleira, região do Segundo Distrito de Rio Branco.
Os policiais cumpriram mandados judiciais tanto no depósito quanto em uma clínica localizada na Baixada da Sobral, pertencente ao empresário e ex-deputado estadual Raimundo Correia da Costa, mais conhecido como Raimundinho da Saúde. O depósito estava fechado e vazio no momento da abordagem, mas os agentes encontraram medicamentos e materiais hospitalares armazenados em caixas de papelão e sacos plásticos.
As condições do local eram precárias, com diversas caixas violadas e embalagens de insumos abertas, levando a um trabalho intensivo para a remoção dos itens. Um caminhão foi utilizado para transportar as caixas ao depósito da Polícia Civil, onde foram contabilizadas.
A Secretaria Estadual de Saúde (Sesacre) informou que essa operação foi realizada a pedido do órgão, após indícios de furto de medicações e insumos nas unidades de saúde. No dia 7 de janeiro, um servidor público foi levado à delegacia para prestar depoimento durante a execução de mandados de busca e apreensão. O celular desse funcionário foi apreendido, e a polícia confirmou que nele foram encontradas provas relacionadas ao desvio de medicamentos.
Impactos no Atendimento à Saúde
Ainda em uma coletiva de imprensa no dia 5 de janeiro, o secretário Pedro Pascoal enfatizou que os desvios afetaram diretamente o atendimento ao público nas unidades de saúde do Acre. “O Estado havia se preparado para adquirir uma quantidade específica de medicamentos, mas isso nunca foi suficiente para atender às necessidades dos pacientes. Isso acendeu um alerta que levou às investigações,” declarou Pascoal.
A situação, que envolve uma complexa rede de desvio e corrupção, reflete a seriedade das questões de saúde pública no estado. Com um valor estimado de R$ 10 milhões em medicamentos desviados, a polícia segue firme nas investigações, buscando responsabilizar todos os envolvidos nesse esquema que compromete a assistência médica no Acre.
