Desaparecimento e esforços de busca em meio às dificuldades climáticas
O Corpo de Bombeiros anunciou o fim das buscas por Moisés Melo Barbosa Kaxinawá, de apenas 24 anos, que desapareceu ao sair para caçar nas proximidades da Aldeia Bari, da comunidade indígena Huni Kuin, no Jordão, interior do Acre. As operações foram suspensas no último domingo (19), após cinco dias de intensos esforços pela localização do jovem, que se perdeu na Terra Indígena (TI) Rio Jordão.
A confirmação do encerramento das buscas veio do tenente Rosenildo Pires, que explicou que a equipe de três bombeiros atuou na região a partir do dia 14. Contudo, as constantes chuvas que atingiram a área dificultaram ainda mais as operações, resultando na impossibilidade de localizar qualquer vestígio que pudesse levar ao jovem. ‘Choveu todos os dias durante a missão, e, apesar dos esforços, não conseguimos encontrar nenhuma pista’, destacou o tenente.
Além da guarnição, o pai de Moisés e outros dois parentes participaram ativamente das buscas. Em um esforço conjunto, a equipe utilizou fogos de artifício e explosivos como sinalizadores, mas sem sucesso. ‘No quinto dia, já sem suprimentos e sem qualquer indício do desaparecido, decidimos encerrar as buscas para garantir a segurança de todos os envolvidos’, completou Pires.
A experiência do jovem e o impacto na comunidade
Moisés estava bem preparado para a caçada, levando consigo uma espingarda, um facão e um isqueiro. Inicialmente, o caso foi tratado pelos bombeiros de Tarauacá, mas, devido à urgência em encontrar um adolescente que também havia desaparecido, as buscas foram transferidas para a equipe de Cruzeiro do Sul.
Em entrevista, Fernando Barbosa Kaxinawá, pai de Moisés, relatou que o filho é um caçador experiente e que nunca havia se perdido antes. ‘Ele ainda está na floresta, mas não conseguimos encontrá-lo. Moisés é um bom caçador e pescador e nunca havia passado por isso’, lamentou. O pai também mencionou a situação familiar do jovem, que vive próximo à residência dos pais e está prestes a ser pai novamente, uma vez que sua esposa está grávida de quatro meses.
‘Ele é o mais velho de quatro irmãos e já desempenhava um papel de liderança na comunidade, coordenando várias atividades. Estou vivendo a maior dor da minha vida’, desabafou Fernando, que acompanhou as operações de resgate e ajudou na logística implementada pelos militares. Com o encerramento das buscas, ele fez um apelo por mais apoio em novas tentativas de localização.
Apelo por ajuda na busca
Fernando fez um apelo à sociedade e ao governo, solicitando que mais pessoas se unam à causa. ‘Precisamos de mais ajuda, a equipe foi embora e já são 15 dias sem meu filho. É crucial que tenhamos mais pessoas dispostas a nos apoiar, principalmente aquelas que conhecem o uso de drones e que venham equipadas com espingardas e facões, já que a floresta é imensa. A distância até os rios que ele poderia ter alcançado é de cerca de 185 km’, enfatizou, visivelmente angustiado com a situação.
A comunidade local continua a espera de notícias e torce para que Moisés seja encontrado com vida. As equipes de busca, agora com o tempo mais curto e recursos limitados, enfrentam desafios persistentes, mas o esforço e solidariedade entre os parentes e amigos permanecem firmes.
