Disputa pelo governo do Acre na reta final
Faltando apenas nove dias para a votação marcada para 4 de outubro, a corrida pelo governo do Acre se intensifica em meio a uma movimentação política acelerada. Candidatos ampliam suas agendas pelo interior, trocam críticas e enfrentam novos desdobramentos envolvendo ações da Polícia Federal, que têm provocado reações e debates acirrados entre os grupos concorrentes. O tema dominou a edição desta sexta-feira (25) do programa Boa Conversa, com análises dos comentaristas Crica e Astério, sob a condução de Marcos Venicios.
Primeiro turno ou segundo? A possibilidade de definição antecipada
Um dos pontos centrais do debate foi a possibilidade de que a eleição seja encerrada já no primeiro turno, evitando uma nova votação. Astério Moreira destacou a movimentação intensa nos bastidores e a estratégia dos grupos para buscar a vitória antecipada. “A eleição poderá ser decidida no primeiro turno. A movimentação nos bastidores é intensa. Tem grupos que decidiram ganhar no primeiro turno, principalmente, de bastidores. A luta é desigual dentro do sistema. O Lula está tomando uma série de medidas como reajuste no Bolsa Família, bets, vai fazer um monte de ações para ganhar a eleição. O Bocalom, Alan e a Mailza, vão jogar para ganhar no primeiro turno”, afirmou.
Crica, por sua vez, ressaltou a força da candidatura de Mailza na reta final da campanha. “Tenho conversado com as pessoas que fazem tracking de campanha, aqui estaria faltando pouco para a eleição ser decidida no primeiro turno, só tem indícios. A máquina pesa muito, não é científico, o visual da Mailza é muito grande. Uma coisa é notória: o crescimento da Mailza foi muito grande, ela está crescendo no momento certo que é a reta final da campanha. Sem munição, não se faz revolução”, avaliou.
Mobilização e ações no interior do Acre
Em Tarauacá, a candidata Mailza Gomes e sua vice, Jéssica Sales, organizaram uma carreata que percorreu as ruas do município, reunindo apoiadores. A iniciativa integra a estratégia da campanha para fortalecer a presença no interior do estado nos últimos dias antes da votação, buscando ampliar a base de eleitores.
Operação da Polícia Federal reacende disputa política
Outra questão que ganhou destaque foi a nova operação da Polícia Federal que atingiu integrantes do entorno do governador Gladson Cameli a poucos dias da eleição. O episódio gerou reações políticas e abriu uma nova frente de discussão entre os grupos em disputa pelo governo do Acre. Ainda durante o programa, foi debatida a suspeita de vazamento de informações relacionadas às operações da PF no estado.
Gladson Cameli manifestou-se, por meio de um vídeo exibido na atração, acusando que as ações configuram perseguição política. Ele afirmou que há tentativas de interferência no pleito eleitoral por meio de medidas judiciais, utilizando a expressão “ganhar no tapetão”. Astério Moreira observou: “A percepção foi que ficou fora de esquadro essa operação”.
Crica complementou que a operação não deve afetar diretamente a candidatura do governador. “Essa operação do Gladson não vai influenciar em nada. O nome dele estará nas urnas, mas isso não pega nele. O Gladson é uma figura que precisa ser explicada, ele tem um carisma pessoal muito grande, que passa pelo problema jurídico. Se for olhar as pesquisas, apesar do derretimento. Os adversários do Gladson estão araras por conta dele manter a candidatura”, disse.
Do lado oposto, a candidata Mailza Gomes afirmou que assumiu o governo com contratos já firmados e declarou confiança na Justiça para esclarecer os fatos. A campanha dela também acusa uma articulação política adversária. “Isso aí é obra do Bittar. Hoje, Bittar e o Marcus Alexandre estão aliados”, comentou Crica.
Alianças e movimentações partidárias
O programa também destacou as movimentações entre lideranças locais e nacionais. Crica apontou que o PT vive um momento de insatisfação interna, citando que o senador Bittar, presente em Brasileia, trabalhou para o candidato Carlinhos, que não está alinhado com ele, enquanto a deputada Leila mantém apoio. “O Bittar fez um pacote com a Fernanda, Tadeu e a Vanda Milani também”, complementou Astério Moreira.
Votação da LDO e disputa para o Senado
Na Assembleia Legislativa do Acre, a votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) foi pauta do programa. Ficou definido que o projeto será apreciado após o pleito, adiando para depois da eleição a discussão sobre as diretrizes do orçamento estadual.
Quanto às eleições para o Senado, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, declarou apoio às candidaturas de Mara Rocha e Alan Rick no Acre, ampliando a influência de lideranças nacionais no pleito local. Astério Moreira comentou sobre os desafios das candidaturas: “A Mara tem um voto muito espontâneo, mas falta estrutura. O Alan não tem dinheiro, e ela também não”.
Eduardo Velloso também foi destaque ao reagir a críticas do PL e direcionar ataques ao senador Márcio Bittar, afirmando que Bittar “teve o orçamento na mão e não fez nada”. Astério Moreira considerou a resposta de Velloso relevante.
Desgastes e movimentações internas nas campanhas
Crica analisou ainda a situação da secretária Nayara, que demorou a pedir exoneração do governo. “O pedido para deixar o governo demorou demais. A Nayara é uma profissional excelente, reconheço que profissionalmente ela é uma das melhores. Ela era pra ter pedido exoneração faz tempo, ela está só. O grupo que era dela foi tirado, o grupo da Mailza não gosta dela. Ela demorou a pedir, mas deveria ter pedido antes”, concluiu.
