Entenda o Caso
O padrasto de um adolescente, suspeito de um ataque a uma escola em Acre, foi solto após decisão judicial. Ele responderá em liberdade por um crime culposo, caracterizado pela ausência de intenção de cometer o delito. A acusação gira em torno da omissão de cautela, uma vez que o homem deixou o adolescente ter acesso à arma de fogo. Caso condenado, a pena pode variar de um a dois anos, além da possibilidade de multa. A identidade do suspeito não foi divulgada, impossibilitando o UOL de contatar sua defesa, mas o espaço para manifestação permanece aberto.
No último incidente, o adolescente penetrou armado no Instituto São José e disparou contra os presentes, resultando na morte de duas funcionárias identificadas pela polícia e pelo deputado estadual Fagner Calegário (Pode) como Raquel Sales Feitosa e Alzenir Pereira. Ambas tentaram impedir o ataque, de acordo com informações policiais.
Além das vítimas fatais, duas pessoas ficaram feridas, sendo uma aluna e uma funcionária. Ambas receberam atendimento médico e não correm risco de morte. O jovem se utilizou de um pente completo de munição, e, após se deparar com dificuldades para recarregar a arma, abandonou o equipamento em uma escadaria da escola antes de se entregar a um quartel da Polícia Militar nas proximidades.
O adolescente responsável pelos disparos foi apreendido e, até o momento, a linha de investigação aponta que ele agiu motivado por episódios de bullying. As autoridades também estão analisando o celular do jovem para coletar mais evidências sobre a situação.
Em uma manifestação à imprensa, Jessé Lemos, pai de uma das alunas, expressou sua preocupação com a segurança nas escolas. Em suas declarações, ele ressaltou a bravura das funcionárias que perderam a vida tentando proteger as crianças: ‘As duas funcionárias mortas foram heroínas, que com certeza deram a vida pela minha filha e pelos que estão aí. O que é que vão fazer? Vão soltar notinha? Vão soltar notinha dizendo que tá tudo bem, que não sei o quê, foi um acaso, que nunca mais vai acontecer?’
Lemos questionou, ainda, quantas tragédias serão necessárias para que as autoridades tomem a questão da segurança escolar a sério. O Governo do Acre confirmou a ocorrência e emitiu uma nota pública informando que a Polícia Civil está à frente das investigações para esclarecer as motivações que levaram ao ataque.
A Prefeitura de Rio Branco também se manifestou, expressando solidariedade às vítimas e pedindo uma apuração rigorosa do caso. Em resposta ao incidente, as aulas na rede estadual de ensino do Acre foram suspensas por três dias. Esse protocolo foi comunicado pela Secretaria de Estado de Educação e Cultura do Acre, destacando as medidas necessárias para garantir a segurança e o bem-estar dos alunos.
