Causas do Acidente Aéreo em Manoel Urbano
O trágico acidente aéreo ocorrido em Manoel Urbano, no interior do Acre, completa dois anos sem que as causas da queda do avião tenham sido totalmente esclarecidas. No dia 18 de março de 2024, uma aeronave modelo Cessna Skylane 182, que transportava sete pessoas, despencou logo após a decolagem, quando se dirigia a Santa Rosa do Purus. O acidente resultou na morte de quatro ocupantes, incluindo o piloto.
Desde o primeiro aniversário do desastre, em 2023, não houve informações oficiais que pudessem iluminar o andamento das investigações, conforme apontado em um relatório do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa). O documento, que foi tornado público, apresenta resultados preliminares e admite que a apuração ainda está em aberto.
O Cenipa reiterou que a finalidade das investigações não é a atribuição de culpa, mas sim a implementação de medidas que possam evitar que acidentes semelhantes ocorram no futuro. O órgão também afirmou que as recomendações de segurança têm como objetivo melhorar os protocolos aéreos e a segurança dos passageiros. Até o momento, nenhuma recomendação de segurança foi formalizada.
Esclarecimentos Pendentes Sobre o Acidente
O acidente envolveu um avião Cessna Skylane, que possui capacidade para quatro passageiros, mas estava sobrecarregado com seis pessoas e um piloto na ocasião da queda. O governo do Acre informou que o avião caiu a apenas 1 quilômetro da pista de decolagem de Manoel Urbano. A aeronave, segundo relatórios, não tinha autorização para operar como táxi aéreo.
O Cenipa está analisando diversos fatores para compreender as circunstâncias do acidente, incluindo a condição da aeronave, a operação no aeródromo e a manutenção do equipamento. A equipe de investigação busca coletar dados sobre componentes e sistemas da aeronave, além do desempenho da tripulação durante o voo.
As Vítimas da Tragédia
Das sete pessoas a bordo do Cessna, quatro perderam a vida, sendo que uma delas morreu na hora do acidente e as outras três faleceram em decorrência dos ferimentos. Entre os falecidos estavam:
- Sidney Estuardo Hoyle Vega, 73 anos, empresário peruano que havia participado do casamento da filha dias antes.
- Suanne Camelo, 30 anos, comerciante que faleceu nove dias após o acidente, após ser transferida com mais de 90% do corpo queimado.
- Amélia Cristina Rocha, 28 anos, biomédica que também foi transferida para tratamento em Manaus e faleceu mais de dois meses depois.
- Valdir Roney Mendes, 59 anos, piloto da aeronave, que morreu após meses internado.
Sobreviventes e Suas Histórias
Dos três sobreviventes, um era menor de idade e os outros dois eram cônjuges das vítimas fatais. Eles foram:
- Mateus Jeferson Fontes, noivo de Suanne, que sobreviveu, mas passou por momentos difíceis e preferiu não comentar sobre o acidente.
- Bruno Fernando dos Santos, dentista que era casado com Amélia e fez uma homenagem à esposa após sua morte.
- Deonicilia Salomão Kalisto Kaxinawá, estudante que se feriu levemente e recebeu alta logo após o acidente.
A história desses sobreviventes e das vítimas do acidente ainda ecoa na comunidade local, com cada um deles enfrentando suas realidades após a tragédia.
A Situação da Aeronave
Em relação à regularidade da aeronave que caiu, o Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB) revelou que o avião, com o prefixo ‘PT-JUN’, estava autorizado apenas para serviços aéreos privados e não tinha licença para atuar como táxi aéreo. O Certificado de Verificação de Aeronavegabilidade (CVA) estava vencido desde junho de 2019, o que levanta sérias preocupações sobre a segurança do voo.
Em meio ao lamento das famílias das vítimas e à comunidade local, as investigações continuam, e muitos ainda esperam por respostas que ajudem a evitar que tragédias como essa voltem a acontecer.
