Seminário em Manaus Discute Feminicídio na Amazônia
No dia 6 de março, a Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre) marcou presença no Seminário Amazônico sobre Vigilância Inteligente do Feminicídio, realizado no Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), em Manaus. O encontro reuniu uma variedade de pesquisadores, gestores públicos e representantes de diversas instituições de diferentes estados da Amazônia Legal, todos com um objetivo comum: desenvolver estratégias eficazes de monitoramento e aprimorar políticas públicas focadas no combate à violência contra as mulheres.
A programação do seminário incluiu conferências e mesas-redondas que abordaram questões cruciais, como a estimativa de feminicídios na Amazônia Ocidental, os fatores de risco associados à violência de gênero e exemplos práticos de monitoramento em diferentes estados brasileiros. Além disso, foram apresentados projetos de pesquisa e iniciativas voltadas à geração de evidências que ajudem na criação de estratégias mais robustas de prevenção e enfrentamento à violência contra mulheres.
Papel da Saúde na Prevenção à Violência de Gênero
No evento, o coordenador estadual do Núcleo de Saúde do Homem da Sesacre, Jhonatan Paiva, destacou a importância do setor saúde na luta contra a violência. Segundo ele, a saúde é um ponto de partida essencial na identificação precoce de situações de violência, proporcionando acolhimento, escuta qualificada e atendimento integral às mulheres. “Muitas vezes, os serviços de saúde são a primeira porta de entrada da rede de proteção, ajudando a interromper ciclos de violência e prevenindo desfechos mais graves, como o feminicídio”, enfatizou Paiva.
Ele também ressaltou que unidades básicas de saúde e hospitais frequentemente se tornam os primeiros locais de busca de ajuda por mulheres em situação de violência. Assim, a capacitação das equipes de saúde e a sensibilidade no acolhimento são essenciais para garantir não só um atendimento clínico adequado, mas também um encaminhamento eficaz aos demais serviços de proteção disponíveis.
Fortalecimento da Vigilância e Qualidade da Informação
Outro ponto crucial discutido no seminário foi a necessidade de fortalecer os sistemas de vigilância e melhorar a qualidade das notificações de casos de violência nos serviços de saúde. Paiva apontou que a fragmentação dos bancos de dados e a baixa interoperabilidade entre diferentes sistemas de informação em saúde são desafios significativos. “Essa fragmentação impacta diretamente a produção de informações e a análise dos casos de violência”, afirmou.
Para o coordenador, é vital fortalecer essas bases de dados e promover a integração entre os sistemas, o que permitiria uma análise epidemiológica mais robusta e subsidiaria a formulação de políticas públicas mais eficazes no combate à violência de gênero.
Tecnologia como Aliada na Vigilância do Feminicídio
As discussões também englobaram o uso de ferramentas digitais avançadas para aumentar a capacidade de monitoramento da violência de gênero. Tecnologias como análise de dados, inteligência artificial e geoprocessamento foram destacados como essenciais para a vigilância em saúde. Especialistas presentes no seminário ressaltaram que essas ferramentas podem qualificar a coleta e a organização das informações, possibilitando análises mais precisas sobre a ocorrência de violências, além de ajudar na identificação de áreas e populações mais vulneráveis.
Para o Acre, as reflexões e propostas apresentadas durante o seminário representam uma valiosa oportunidade de avançar na estruturação de estratégias mais integradas de vigilância e análise do feminicídio. Isso não apenas fortalecerá a produção de evidências, mas também subsidiará o planejamento de ações e políticas públicas destinadas à prevenção e ao enfrentamento da violência contra as mulheres.
