Queda nos Preços de Alimentos e Influência da Política Externa
No início de 2024, os preços dos alimentos no mercado internacional apresentaram uma tendência de queda, com o Brasil desempenhando um papel significativo nesta redução. De acordo com a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura), janeiro foi marcado por desvalorizações nos preços de carnes, lácteos e açúcar, que serviram para contrabalançar as altas observadas em cereais e óleos vegetais. O índice médio dos preços calculados pela FAO registrou uma diminuição de 0,32% em comparação a dezembro, além de uma queda de 0,64% ao longo de um ano. Essa é a quinta queda consecutiva registrada.
Esse cenário de retração nos preços internacionais é o resultado de uma produção agrícola global em expansão, que garante uma oferta mais equilibrada, melhores estoques e, de certa forma, um impacto positivo da política cambial do ex-presidente Donald Trump, que levou à desvalorização do dólar. O mercado brasileiro, por sua vez, também influencia as tendências externas. Dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) indicam que, entre os dez principais produtos monitorados, oito apresentaram redução nos preços no campo durante janeiro.
Reflexos no Consumidor e Perspectivas para Cereais e Grãos
A queda nos preços recebidos pelos produtores se reflete diretamente no bolso dos consumidores. A inflação dos alimentos em São Paulo, por exemplo, ficou em 0,11% no mês passado, acumulando apenas 1,72% nos últimos doze meses, conforme apurações da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas). Embora os preços dos cereais tenham se mantido praticamente estáveis em relação a dezembro, houve uma queda significativa de 4,4% se comparados aos números do mesmo mês do ano anterior.
A exportação de trigo pela Austrália e pelo Canadá contribuiu para a baixa nos preços desse grão, embora haja preocupações com possíveis problemas climáticos que podem afetar a produção nos Estados Unidos e na Rússia. As previsões apontam para uma safra de 28 milhões de toneladas na Argentina e estoques globais elevados, o que impede uma correção nos preços do cereal. No Brasil, o preço da tonelada de trigo caiu 17% em um ano.
Mercado de Milho e Arroz com Tendências Variadas
O milho também está experimentando uma leve queda média de 0,2% no mercado internacional, conforme os dados da FAO divulgados. Apesar disso, a expectativa de uma safra robusta global ainda gera incertezas, especialmente em relação às condições climáticas nas lavouras do Brasil e da Argentina. No que diz respeito ao mercado interno, o preço do milho recuou 10% em comparação aos valores de janeiro do ano passado, segundo o Cepea.
No segmento do arroz, a procura tem se mostrado mais forte, resultando em uma recuperação de 1,8% nos preços em janeiro em relação a dezembro. Embora a Índia e Bangladesh se preparem para aumentar suas exportações de arroz, regiões como Vietnã e Filipinas enfrentam instabilidades climáticas. Dados do Cepea mostram que, atualmente, os preços do arroz no Brasil estão 45% menores do que os registrados há um ano, com os consumidores pagando 26% a menos pelo produto no mesmo período, conforme indicações da Fipe.
Produção de Soja e Tendências no Setor Lácteo
A soja, que apresenta uma produção mundial recorde de 430 milhões de toneladas segundo o Amis (Sistema de Informação de Mercado Agrícola), permanece com preços estáveis. O aumento histórico da produção brasileira impede novas elevações, embora a produção argentina ainda traga incertezas devido ao clima variável. Já os preços dos lácteos, que estão entre os que mais caem no mercado externo, apresentam uma redução de 15% em comparação ao ano anterior e marcam a sétima queda mensal seguida.
No Brasil, a situação dos lácteos é semelhante, com o preço do leite apresentando uma diminuição contínua ao longo de oito meses, acumulando uma queda de 21,2% de janeiro a novembro de 2023. As carnes também mostram um desempenho negativo no mercado internacional, impulsionado pela desvalorização nos preços da carne suína, que compensou os aumentos observados nas carnes bovina e de frango. No Brasil, os preços das carnes suína e de frango caíram, enquanto a carne bovina, impulsionada pela demanda externa, teve sua valorização restabelecida, segundo dados do Cepea.
