Superação e Novas Oportunidades
A paratleta Iandra Reis, de apenas 17 anos, é uma verdadeira inspiração. Moradora da zona rural de Rio Branco, capital do Acre, ela encontrou no esporte, especialmente na natação, uma nova razão para viver após ser diagnosticada com hidrocefalia aos 14 anos, o que resultou na perda da visão em um curto período de três meses. Desde então, Iandra passou a encarar a vida com um novo olhar, superando dificuldades e conquistando medalhas que simbolizam suas vitórias.
Iandra, natural do Amazonas, se mudou para o Acre na infância e viveu um momento difícil após a perda da visão. Com saudades de sua rotina, ela se recorda: “Logo quando eu perdi a visão, passei um tempo isolada em casa. Não conseguia sair e nem queria fazer nada.”, diz a jovem, que encontrou na literatura uma forma de se expressar e usar a tecnologia a seu favor, escrevendo histórias com a ajuda de um leitor de telas.
O Encaminhamento para a Natação
O início da jornada esportiva de Iandra ocorreu há três anos, por meio da sugestão de uma professora que reconheceu seu potencial. “Foi o esporte que me ajudou a retomar a minha vida. Com a natação, alcancei coisas que eu nem pensava que poderia fazer um dia”, afirma com empolgação. Desde então, Iandra participou de diversas competições, conquistando medalhas em campeonatos estaduais e regionais, além de fazer amizades que a ajudaram a superar sua deficiência.
Adaptação e Treinamentos no Açude
Mas a trajetória da paratleta não é apenas sobre vencer desafios pessoais; há também obstáculos logísticos. Para facilitar o treinamento diário e evitar longas viagens ao centro de treinamento, a família de Iandra construiu um açude em sua propriedade, com 12 metros de largura e 25 metros de comprimento. O espaço, cujo intuito inicial era apenas armazenar água para períodos de seca, acabou se tornando um local onde Iandra treina, improvisando raias com garrafas PET.
A mãe de Iandra, Francisca Alexandra, explicou como tudo começou: “O professor dela perguntou se não tinha como ela nadar aqui no açude, e aí eu disse que tínhamos um. Ele sugeriu que fizéssemos um jeito para que ela pudesse treinar, mesmo quando o tempo estivesse ruim.” Hoje, Iandra realiza treinos no açude pelo menos duas vezes por semana, enquanto nos outros três dias participa de sessões no Centro de Referência Paralímpico, distante cerca de 20 km de sua casa.
Deslocamento e Treinamento no Centro de Referência
Para chegar ao Centro, Iandra enfrenta uma estrada de terra e utiliza um ônibus escolar que a leva até a Escola Jorge Kalume. De lá, é acompanhada pelo treinador Nilton Pontes, que a ajuda a chegar ao treinamento. Apesar das dificuldades, a paratleta destaca a qualidade do treinamento que recebe no Centro de Referência, onde nada em uma piscina semiolímpica de 25 metros, o que proporciona uma experiência mais próxima da realidade de outros paratletas.
“O Centro de Referência é uma ótima oportunidade. É nele que posso aprender e evoluir”, afirma Iandra, que, mesmo diante das dificuldades do dia a dia, encontra motivação na natação. “A natação é um dos motivos que me fazem levantar todos os dias. Já conto os dias dos meus treinos e, se por um lado é complicado chegar até aqui, isso não me faz querer desistir”, enfatiza, mostrando uma determinação admirável.
O Futuro da Paratleta
Com a força do esporte e o apoio da família, Iandra Reis se destaca como um exemplo de superação e resiliência. Sua história é um lembrete poderoso de que, mesmo diante de adversidades, é possível encontrar novos caminhos e conquistar os próprios sonhos. A natação não apenas ajudou Iandra a se reencontrar, mas também a construir uma nova narrativa para sua vida, onde cada braçada é um passo em direção à realização de seus objetivos.
