Reações de Líderes Mundiais
Líderes de diversas nações da América Latina e do mundo manifestaram suas opiniões sobre a operação militar promovida pelos Estados Unidos, que resultou na captura do ditador Nicolás Maduro, durante a madrugada deste sábado (3). As reações variam entre preocupação e celebração, refletindo a polarização do cenário internacional.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, dirigiu uma coletiva de imprensa em seu resort Mar-a-Lago, na Flórida, e anunciou que o país será governado pelos EUA até que uma transição pacífica possa ser realizada. “Não podemos correr o risco de que alguém assuma o poder na Venezuela sem ter em mente os interesses dos venezuelanos”, afirmou Trump, ressaltando o envio de tropas se necessário.
A remoção de Maduro, que esteve no poder por mais de 12 anos, abre um vácuo de poder que pode desestabilizar ainda mais a Venezuela, um país de 28 milhões de habitantes. Tal desestabilização impõe a Trump um desafio de política externa reminiscentes das intervenções em Afeganistão e Iraque, que marcaram a política americana no século XXI.
Posições Divergentes na América Latina
Cuba, por meio do presidente Miguel Díaz-Canel, criticou severamente o que descreveu como um “ataque criminoso” dos EUA à Venezuela. Em uma postagem no X, ele clamou por uma reação urgente da comunidade internacional e enfatizou que a “zona de paz” na América Latina está sendo ameaçada.
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, também utilizou a plataforma para expressar sua reprovação, citando uma cláusula da Carta da ONU que proíbe o uso da força contra a integridade territorial de outros Estados. Em sua declaração, ela disse que seu governo “condena e rejeita veementemente” a intervenção militar.
Já na Colômbia, o presidente Gustavo Petro manifestou preocupação com a situação, afirmando que o governo colombiano está monitorando os desdobramentos e rejeita qualquer ação militar que possa agravar o cenário ou colocar a vida de civis em risco.
Por outro lado, o presidente argentino Javier Milei, alinhado a Trump, comemorou a captura de Maduro com uma mensagem simples no X: “A liberdade avança! Viva a liberdade!” Enquanto isso, o presidente do Equador, Daniel Noboa, declarou que os “criminosos narcotraficantes chavistas” enfrentariam suas consequências, exortando a oposição venezuelana e a população a retomar o controle do país.
Reações da Região e do Mundo
O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, expressou sua indignação, afirmando que a operação e a captura de Maduro cruzaram uma linha “inaceitável”. Lula destacou que essa ação estabelece um precedente perigoso para a comunidade internacional e remete aos piores momentos de intervenção na política latino-americana, pedindo uma resposta firme da comunidade global.
O governo do Uruguai também se manifestou, afirmando que observa os acontecimentos com grande preocupação e rejeita a intervenção militar em outro país. Uma declaração oficial do Ministério das Relações Exteriores ressaltou que os Estados devem se abster de ameaçar ou usar a força contra a integridade territorial de qualquer nação.
Trinidad e Tobago, por sua vez, negou qualquer participação na operação militar, reafirmando sua intenção de manter relações pacíficas com a Venezuela. A Bolívia, através de seu ministério das Relações Internacionais, reiterou seu compromisso com a paz e a democracia, criticando a ação dos EUA como uma agressão.
Reações Internacionais e Consequências Globais
Na Europa, o presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, pediu uma desescalada e enfatizou a necessidade de respeito ao direito internacional, informando que a embaixada e os consulados da Espanha na Venezuela continuam operacionais. O Reino Unido distanciou-se da operação, com o primeiro-ministro Keir Starmer afirmando que seu governo não teve envolvimento e que a legalidade internacional deve ser respeitada.
A Rússia não hesitou em condenar a ação, rotulando-a como um “ato de agressão armada” e expressando solidariedade ao povo venezuelano, pedindo diálogo para evitar uma escalada no conflito. Enquanto isso, a diplomacia da União Europeia pediu que os princípios do direito internacional sejam mantidos, apesar da falta de reconhecimento à legitimidade de Maduro.
Além disso, a China emitiu um alerta para seus cidadãos a não viajarem para a Venezuela, enquanto a Bélgica, Holanda e Polônia monitoram atentamente a situação, preocupadas com a segurança de seus cidadãos no país. Belarus também condenou o que chamou de “agressão armada”, enquanto a chamada comunidade internacional observa com atenção o desenrolar dos acontecimentos na Venezuela.
