Investigação sobre a Morte de Moisés Alencastro
A morte do ativista cultural e servidor público Moisés Ferreira Alencastro e Souza, de 59 anos, assassinato que ocorreu no dia 21 de dezembro, gerou grande repercussão em Rio Branco e no cenário cultural do Acre. Ele foi encontrado sem vida em seu apartamento, no bairro Morada do Sol, na noite do dia 22. A principal linha de investigação da polícia aponta para um homicídio.
O g1 compilou as informações disponíveis até o momento sobre este caso trágico:
- Quem era Moisés Alencastro?
- O que aconteceu com o ativista cultural?
- Como o corpo foi encontrado?
- Qual é a linha de investigação atual?
- Quem são os suspeitos envolvidos?
Quem era Moisés Alencastro?
Moisés Alencastro era uma figura proeminente no meio cultural e político do Acre. Formado em Direito, atuava como jornalista e colunista social. Desde 2006, Moisés trabalhou no Ministério Público do Acre, especificamente no Centro de Atendimento à Vítima (CAV).
Com uma trajetória marcada pela participação ativa nas políticas culturais locais, ele foi membro do Conselho Estadual de Cultura, onde se dedicou a contribuir para o desenvolvimento das iniciativas culturais do estado. Além de seu amor pela cultura acreana, Moisés se destacou como defensor dos direitos da comunidade LGBTQIA+ e se tornou um elo importante entre artistas, produtores e o governo.
O que aconteceu?
O assassinato de Moisés foi descoberto quando amigos, preocupados com sua ausência, acionaram o Ministério Público do Acre. A última vez que ele foi visto foi no dia 21, um domingo. No dia seguinte, ao entrarem em seu apartamento, encontraram o corpo de Moisés sobre a cama, apresentando mais de cinco perfurações. A primeira análise da polícia indicava que a morte tinha ocorrido um dia antes, na noite de domingo.
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) confirmou o falecimento e a Polícia Militar isolou a área. O corpo foi posteriormente levado ao Instituto Médico Legal (IML). Durante a investigação, a polícia encontrou rigidez cadavérica que sugeria que a morte havia ocorrido cerca de 18 a 20 horas antes da descoberta do corpo.
Como o corpo foi encontrado?
Após tentativas frustradas de contato, amigos de Moisés procuraram ajuda do MP-AC, que autorizou o arrombamento da porta do apartamento. Além do corpo, a polícia encontrou o carro de Moisés abandonado na Estrada do Quixadá, em condições suspeitas, com um pneu furado e o porta-malas aberto.
Naquela ocasião, objetos pessoais da vítima, como documentos e roupas manchadas de sangue, foram encontrados com os suspeitos, que também teriam utilizado cartões bancários de Moisés após o crime. Contudo, essas transações foram negadas pelos bancos.
Qual a principal linha de investigação?
Inicialmente, o caso foi considerado um latrocínio, mas novas evidências mudaram essa perspectiva. A investigação da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) revelou que não houve sinais de arrombamento, indicando que Moisés conhecia seus agressores e os deixou entrar de forma consensual.
Atualmente, a polícia trabalha com a hipótese de homicídio qualificado seguido de furto, analisando a dinâmica do crime e o envolvimento de cada suspeito. O delegado Alcino Júnior, responsável pela investigação, esclareceu: “O latrocínio ocorre quando se mata para roubar. A dinâmica dos fatos sugere que a morte aconteceu primeiro e, em seguida, houve o aproveitamento da situação para subtrair bens”.
Quem são os suspeitos?
Os principais suspeitos do assassinato de Moisés Alencastro são Antônio de Sousa Morais, de 22 anos, e Nataniel Oliveira de Lima, de 23 anos. Antônio foi preso na manhã de quinta-feira (25), após quatro dias foragido. Nataniel foi detido no mesmo dia, no bairro Eldorado.
De acordo com as autoridades, ambos têm ligação com a vítima e são considerados participantes diretos do crime. A investigação sugere que mais de uma pessoa esteja envolvida na ação criminosa. O caso continua a ser apurado pela DHPP, que busca entender melhor a motivação e a sequência dos eventos que levaram à morte do ativista cultural.
