Projeto que une educação, comunicação e memória indígena
A educadora e pesquisadora Matsiani Shanenawa, do povo indígena Shanenawa, foi selecionada entre quatro mulheres indígenas da Amazônia brasileira para receber a bolsa da 6ª edição do Programa de Mulheres Indígenas da Amazônia. Promovido pela Conservação Internacional, com apoio da Coordenadoria das Organizações Indígenas da Bacia Amazônica (Coica), o programa visa fortalecer iniciativas lideradas por mulheres indígenas dentro de seus territórios.
O projeto aprovado, “Tecendo Memórias Shanenawa: Educação, Comunicação e Saberes da Floresta”, tem como foco principal o fortalecimento da língua Shanenawa, dos conhecimentos tradicionais e da formação de jovens indígenas. A proposta envolve ações na educação, comunicação comunitária e a criação de um sistema digital para preservar a memória indígena.
Uma trajetória dedicada à educação e cultura indígena
Matsiani Shanenawa reside na aldeia Morada Nova, localizada na Terra Indígena Katukina/Kaxinawá, em Feijó. Sua caminhada é marcada pela defesa da educação indígena, valorização cultural e fortalecimento da comunicação comunitária. Graduada em Pedagogia, especialista em Psicopedagogia Institucional e mestre em Linguagem e Identidade pela Universidade Federal do Acre (UFAC), ela atua como professora da Escola Tekahayne Shanenawa, desenvolvendo iniciativas para preservar a língua, cultura e saberes ancestrais de seu povo.
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Ao receber a notícia da bolsa, a liderança indígena destacou o impacto dessa conquista: “Receber essa bolsa foi um momento muito importante para mim. Fiquei muito feliz e honrada por ter sido uma das selecionadas entre tantas pessoas inscritas. Isso me deu ainda mais motivação para continuar trabalhando em prol do meu povo e fortalecendo as ações dentro da minha aldeia”, afirmou Matsiani.
Fortalecimento da comunicação e valorização cultural
Além de seu papel na educação, Matsiani é vice-presidente da Associação Comunitária Shanenawa de Morada Nova e uma das fundadoras do coletivo Tetepawa Comunica. Esse grupo reúne jovens comunicadores de diversas terras indígenas do Acre, com o objetivo de fortalecer a produção de conteúdo, os registros audiovisuais e a valorização dos conhecimentos tradicionais.
Francisca Arara, secretária dos Povos Indígenas do Acre, ressaltou a importância do reconhecimento internacional conquistado por Matsiani: “Quando uma liderança indígena do Acre conquista espaços de destaque em programas nacionais e internacionais, toda a sua comunidade se fortalece. Essas oportunidades permitem que novos conhecimentos, experiências e ferramentas retornem para as aldeias, contribuindo para a valorização da cultura, o fortalecimento da educação indígena, da comunicação comunitária e da autonomia dos povos”, destacou.
Reconhecimento e futuro do projeto
A trajetória de Matsiani integra educação, pesquisa, comunicação, cultura e liderança social. Ela é autora e coautora de publicações acadêmicas sobre ancestralidade, educação indígena e identidade cultural. Entre os reconhecimentos recebidos estão o Prêmio Mestre da Lei Paulo Gustavo, na categoria Contos e História, em 2024, e o Prêmio Ciências do Podali, concedido ao coletivo Tetepawa Comunica em 2025.
Com a bolsa internacional, Matsiani pretende expandir o registro das memórias do povo Shanenawa, fortalecer a língua e promover a formação das novas gerações. O objetivo é manter vivos os ensinamentos ancestrais e consolidar a identidade cultural da comunidade.
