O Uso Excessivo da Força e a Intimidação em Plena Luz do Dia
Nos últimos meses, a atuação do ICE (Serviço de Imigração e Controle de Alfândega dos EUA) tem gerado grandes preocupações sobre a repressão política na gestão Trump. Com agentes mascarados utilizando força desmedida, a intenção se torna evidente: incutir medo na população. O que normalmente acontece sob a sombra, como em regimes autoritários, agora é realizado de forma explícita. Em situações de intensa tensão nas ruas de Mineápolis, dois cidadãos americanos, que ousaram interpelar os agentes do ICE, foram mortos – um ato brutal que visa disseminar o terror e a inibição da resistência.
Esse cenário se assemelha a ações típicas de regimes totalitários. O governo Trump, desafiador da democracia, não apenas pratica a violência, mas também busca inverter a narrativa, transformando as vítimas em vilões. Renee Good e Alex Pretti, ambos com 37 anos, foram rotulados como ‘terroristas internos’ por porta-vozes da administração, enquanto os agentes do ICE se apresentam como heróis em sua ação. Independentemente das evidências em vídeos que documentam os abusos, a versão oficial tenta distorcer a realidade.
Mortes Sob Custódia: Um Cenário Alarmante
A situação se agrava ao se considerar as mortes ocorridas sob custódia do ICE. Em 2025, um número alarmante de 32 pessoas faleceram enquanto estavam sob a supervisão da agência, estabelecendo um recorde de letalidade em duas décadas. Apenas neste início de ano, seis indivíduos perderam a vida em centros de detenção localizados em Texas, Filadélfia e Califórnia. As causas das mortes variaram de problemas cardíacos a suicídios, com famílias e advogados apontando negligência por parte do ICE como um fator crucial.
Um caso emblemático é o do imigrante cubano Geraldo Lunas, que, segundo um relatório médico, morreu devido a asfixia causada por compressão do pescoço. O ICE inicialmente alegou que Lunas faleceu por ‘mal-estar médico’, mas, após a publicação de informações pelo Washington Post, a narrativa mudou, atribuindo a culpa à vítima por sua suposta resistência. Essa estratégia retórica visa desviar a responsabilidade e proteger a imagem da agência.
Protestos e Opiniões Divergentes da População
Com um recorde de 69 mil detidos no início de janeiro, as mortes sob custódia do ICE tendem a aumentar. Estatísticas indicam que 43% dos detidos não enfrentam nenhuma acusação criminal, uma situação que levanta sérias preocupações sobre a legalidade das operações da agência. Apesar de evidências contundentes de abusos, uma pesquisa realizada pelo YouGov após os assassinatos de Pretti mostrou que apenas 46% da população apoia a extinção do ICE, enquanto 41% se opõem a essa ideia. A divisão de opiniões é ainda mais acentuada entre os partidos: 76% dos democratas desejam a eliminação da agência, ao passo que a maioria dos republicanos se opõe.
Em meio à indignação, 58% dos entrevistados consideram as táticas do ICE como excessivamente violentas, e 48% desaprovam a forma como a agência atua. Contudo, é crucial notar que essa postura não é uniforme em todo o país. O apoio ao presidente Trump, por exemplo, oscila conforme a localização geográfica, com sua aprovação atingindo 33% na Califórnia e até 41% em Minnesota.
Desdobramentos e a Continuação da Violência
Os assassinatos recentes geraram uma nova onda de protestos em várias cidades, como Nova York, Chicago e São Francisco. No entanto, a resposta nas regiões republicanas tende a ser mais silenciosa ou até ausente, evidenciando um panorama político polarizado. Mesmo diante de ações comprovadas de repressão, muitos cidadãos permanecem alheios ao fato de que o ICE não se restringe a ser uma agência de imigração, mas sim um instrumento de controle político sob um governo que não esconde suas intenções autoritárias.
