Declarações Inaceitáveis e Repúdio Oficial
O governo do Acre, através da Secretaria de Estado da Mulher (Semulher), manifestou publicamente seu repúdio às declarações feitas pelo treinador de futebol do Vasco da Gama-AC. As falas ocorreram em reportagens veiculadas em programas de TV locais e geraram intensa repercussão.
Durante sua manifestação, o treinador se posicionou sobre as denúncias de estupro que envolvem atletas sob sua responsabilidade, minando a credibilidade do trabalho técnico e ético da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam). Ao insinuar que as investigações estariam sendo conduzidas de maneira parcial, ele agrava a desconfiança nas instituições de segurança pública.
Tal atitude é considerada um desserviço à Justiça, pois enfraquece a confiança da sociedade nos mecanismos de proteção e combate à violência de gênero, contribuindo para a impunidade em casos de crimes contra a mulher.
Conteúdos Misóginos e Culpabilização da Vítima
Outro ponto que preocupa a Semulher é a presença de conteúdo misógino e discriminatório nas declarações do treinador. Ele parece atribuir às mulheres a responsabilidade por condutas de atletas adultos, o que fere princípios básicos de justiça. É fundamental lembrar que as mulheres não devem ser culpabilizadas por violações de regras institucionais ou por crimes cometidos por outros. Cada indivíduo é responsável por suas próprias ações.
A tentativa de transferir essa responsabilidade às mulheres não apenas configura culpabilização da vítima, mas também perpetua ciclos de violência e silenciamento. É inaceitável minimizar a gravidade do crime de estupro, que, em nenhuma circunstância, pode ser relativizado.
O consentimento, por exemplo, não é algo permanente ou automático. Se em algum momento houver ausência de consentimento, qualquer ato sexual torna-se criminoso. Além disso, os relatos de agressões físicas, como tapas e puxões de cabelo, não podem ser ignorados, pois se somam à violência sexual, aumentando a gravidade da situação.
Compromisso com a Justiça e a Valorização das Vítimas
A Secretaria de Estado da Mulher reafirma que está acompanhando de perto as vítimas do caso e destaca que nenhuma forma de violência contra a mulher é aceitável, seja ela física, sexual, psicológica ou institucional. É imprescindível que todos os discursos que ajudam a naturalizar, relativizar ou justificar essa violência sejam desmantelados.
Essas falas não só reforçam estruturas de desigualdade, mas também desencorajam as vítimas a buscarem justiça, perpetuando um ciclo vicioso de violência e impunidade. Por fim, o governo do Estado do Acre reitera seu compromisso inabalável com a proteção das mulheres, com o respeito às vítimas e com a valorização do trabalho das instituições públicas.
A promoção de uma cultura de responsabilização, igualdade e respeito é uma prioridade para o governo, que continua firme na luta contra a violência de gênero.
Márdhia El Shawwa
Secretária de Estado da Mulher
